O Questionário de Agressividade de Buss-Perry (BPAQ) é um instrumento multidimensional utilizado para aferir a agressividade enquanto traço de personalidade…
Perguntas
29
Duração
10 min
Título original
BPAQ — Buss-Perry Aggression Questionnaire
Adaptação
Questionário de Agressividade de Buss-Perry
Autores
Buss, A. H. & Perry, M.
Criação
1992
O Questionário de Agressividade de Buss-Perry (BPAQ) é um instrumento multidimensional utilizado para aferir a agressividade enquanto traço de personalidade em adultos. A sua utilidade clínica decorre da conceptualização da agressividade não como um constructo unitário, mas como um fenómeno com componentes motores, emocionais e cognitivos distintos. Ao discriminar entre ação, afeto e perceção, a escala apoia o clínico no desenho de planos de tratamento ajustados ao perfil específico de reatividade do sujeito, permitindo identificar a origem da raiva e a avaliar o seu impacto real nos vários domínios da sua vida.
Enquanto medida repetível e padronizada, o BPAQ é valioso para mapear o risco de desregulação comportamental e para monitorizar mudanças consolidadas ao longo da intervenção. A sua aplicação capta a propensão basal do sujeito para o confronto, constituindo uma fundação empírica sólida para integrar práticas focadas na regulação emocional e a tolerância ao pico de ativação. Ao quantificar domínios como a hostilidade latente e a impulsividade destrutiva, o instrumento confere maior objetividade à formulação de caso, auxiliando na articulação do sofrimento emocional com os padrões interpessoais disruptivos do indivíduo.
Exemplo de resultado
Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.
Pontuação global
85/ 145
Um questionário de autorrelato de 29 itens que avalia a agressividade disposicional (traço) em adolescentes e adultos. Avalia quatro dimensões: agressão física (comportamental), agressão verbal (comportamental), raiva (afetiva/emocional) e hostilidade (cognitiva: ressentimento, desconfiança, sentimento de injustiça). Amplamente utilizado em psicologia clínica, psiquiatria, contextos forenses e investigação, permite aos clínicos objetivar o perfil de agressividade do paciente, identificar as dimensões mais salientes e monitorizar a evolução ao longo do tratamento.
29–61
Baixo
62–76
Médio
77–89
Acima da média
85
90–100
Alto
101–145
Muito alto
As faixas de gravidade foram definidas em termos de pontuação bruta, considerando tanto o ponto de corte quanto a distribuição das pontuações dos homens sendo mais elevadas em relação às mulheres.
Ponto de corte≥ 76Níveis elevados de agressividade
Para distinguir entre níveis normais e elevados de agressividade. Calculado através do método de Jacobson and Truax (1991), considerando o DP e a média de amostras comunitárias e clínicas.
Pontuação
Soma por subescala + pontuação total, pontuação total de 29 a 145, cada item é pontuado numa escala de 5 pontos (de 1 a 5).
Raiva
21/ 35
Raiva, representando o componente emocional ou afetivo da agressividade, atuando como uma ponte entre os componentes instrumentais e cognitivos.
itens15, 16, 17, 18, 19, 20, 21
généralehomens · estudantes · n = 612
735
21
M = 17 ± 5.6
généralemulheres · estudantes · n = 641
735
21
M = 16.7 ± 5.8
Hostilidade
24/ 40
Hostilidade, representando o componente cognitivo da agressividade, englobando sentimentos de má vontade, ressentimento e desconfiança.
itens22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29
généralehomens · estudantes · n = 612
840
24
M = 21.3 ± 5.5
généralemulheres · estudantes · n = 641
840
24
M = 20.2 ± 6.3
Agressão física
25/ 45
Agressão Física, representando os componentes instrumentais ou motores da agressividade.
itens1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9
généralehomens · estudantes · n = 612
945
25
M = 24.3 ± 7.7
généralemulheres · estudantes · n = 641
945
25
M = 17.9 ± 6.6
Agressão verbal
15/ 25
Agressão Verbal, representando os componentes instrumentais ou motores da agressividade.
itens10, 11, 12, 13, 14
généralehomens · estudantes · n = 612
525
15
M = 15.2 ± 3.9
généralemulheres · estudantes · n = 641
525
15
M = 13.5 ± 3.9
Peça ao seu paciente para fazer este teste
Atribua-o num clique: o seu paciente responde no telemóvel e você recebe a pontuação e a sua interpretação.
O BPAQ mede a agressividade dispositional desdobrando-a em quatro vertentes fenotípicas complementares, refletindo o modo como a oposição e a reatividade se expressam na relação com os outros e na perceção do meio.
Agressividade Física: a vertente motora que avalia a propensão para utilizar o confronto físico perante a provocação ou como forma de resolver conflitos.
Agressividade Verbal: o componente expressivo que quantifica a tendência para discutir, atacar verbalmente ou discordar de forma beligerante, facilitando o trabalho de examinar o ciclo emoção-comportamento.
Raiva: a dimensão afetiva que sinaliza a labilidade emocional, o descontrolo do temperamento e a necessidade de reconstruir a capacidade de tolerar a frustração.
Hostilidade: o constructo cognitivo centrado na desconfiança face às intenções alheias, no cinismo e na tendência para reter uma vivência de injustiça.
O instrumento está desenhado para utilização com populações adultas, revelando-se sensível tanto em contexto clínico como forense e de investigação.
Quando e porquê utilizá-lo
A aplicação deste instrumento é indicada na avaliação inicial ou na reavaliação de quadros clínicos onde o controlo dos impulsos e a disfuncionalidade relacional constituem focos centrais da intervenção.
Avaliação inicial (Baseline): mapeia os componentes específicos da agressividade logo na admissão, ajudando a explorar as crenças nucleares por trás dos pensamentos persecutórios ou de vulnerabilidade face aos outros.
Formulações diferenciais: distingue objetivamente entre o predomínio de reatividade emocional aguda (raiva episódica) e um processamento cognitivo globalmente enviesado (hostilidade paranoide).
Monitorização da evolução terapêutica: capta alterações graduais na manifestação dos impulsos ao longo do tempo, validando a eficácia do plano de tratamento.
Avaliação forense ou de risco: quantifica a propensão histórica para a beligerância de forma estruturada, complementando a entrevista clínica exaustiva.
A obtenção de um score padronizado acrescenta valor direto à impressão clínica por segmentar empiricamente as diversas formas de expressão da raiva, orientando de forma cirúrgica as estratégias de contenção e as reestruturações cognitivas necessárias.
Biblioteca clínica
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Utilizando a escala abaixo, indique em que medida cada uma das seguintes afirmações o(a) descreve. Escolha a resposta que melhor caracteriza a sua forma habitual de pensar, sentir ou agir.
1. Às vezes não consigo controlar a minha vontade de bater em alguém.
Avalia a dificuldade percebida em conter impulsos violentos primários direcionados a terceiros.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
2. Se me provocarem o suficiente, posso chegar a bater em alguém.
Afere a prontidão latente para a agressão física mediante um contexto interpretado como limite ou provocador.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
3. Se alguém me bate, eu revido.
Quantifica a propensão do indivíduo para adotar uma reatividade imediata e retributiva em altercações físicas.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
4. Envolvo-me em lutas um pouco mais frequentemente do que a média das pessoas.
Explora a frequência autorreportada de envolvimento em confrontos físicos face àquilo que o sujeito considera ser a norma.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
5. Se tiver de recorrer à violência para defender os meus direitos, fá-lo-ei.
Mede a legitimação interna do uso da força física como mecanismo admissível para preservar direitos ou recursos.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
6. Certas pessoas levaram-me ao limite, ao ponto de chegar a agressões físicas.
Capta a reatividade aos limites interpessoais ao indagar o histórico prático de escalada da tensão até à agressão física.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
7. Não vejo nenhuma boa razão para bater em quem quer que seja.
Avalia a adesão interna a um postulado ético ou prático de inibição total da força física (cotação invertida).
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
8. Já ameacei pessoas que conheço.
Averigua o recurso habitual à intimidação verbal com o fim explícito de ameaçar a integridade de figuras relacionais conhecidas.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
9. Já fiquei tão zangado(a) que parti objetos.
Regista a tendência de externalização destrutiva extrema sob a forma de danos em objetos em picos de raiva incontrolável.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
10. Digo abertamente aos meus amigos quando não concordo com eles.
Afere a franqueza oposicional e a propensão imediata para verbalizar abertamente um desacordo na intimidade social.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
11. Discordo frequentemente das pessoas.
Avalia a frequência e a naturalização com que o sujeito vivencia discordâncias argumentativas nos seus relacionamentos comuns.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
12. Quando as pessoas me irritam, posso dizer-lhes o que penso delas.
Explora a perda da inibição verbal perante sentimentos de desagrado provocado pelos interlocutores.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
13. Não consigo evitar discutir quando as pessoas discordam de mim.
Capta a força e a incontornabilidade do impulso reativo para contestar, perante a manifestação explícita de visões diferentes.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
14. Os meus amigos dizem que sou um pouco argumentativo(a).
Regista o modo como o indivíduo assume e reconhece que o seu perfil argumentativo sistemático é visto pelo seu grupo social.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
15. Fico com raiva rapidamente, mas acalmo-me com a mesma rapidez.
Mede o padrão dinâmico temporal da emoção irada, caracterizado por uma forte e efémera resposta de ativação simpática.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
16. Quando estou frustrado(a), mostro a minha irritação.
Avalia o grau de externalização passiva e a transparência comportamental quando o sujeito depara com um bloqueio (frustração).
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
17. Às vezes sinto-me como um barril de pólvora prestes a explodir.
Afere metaforicamente a perceção subjetiva que o paciente tem de acumulação perigosa de tensão nervosa.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
18. Sou uma pessoa calma e equilibrada.
Quantifica globalmente a identificação com um estilo de personalidade plácido e resistente ao confronto (item de cotação invertida).
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
19. Alguns dos meus amigos pensam que sou exaltado(a).
Regista a validação social que o sujeito concede à perspetiva exterior que descreve o seu descontrolo afetivo contínuo.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
20. Às vezes, perco a cabeça sem uma razão real.
Explora a incidência dos episódios marcados por explosões súbitas de fúria despoletados fora de uma proporcionalidade provocadora.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
21. Tenho dificuldade em controlar o meu temperamento.
Avalia o insight direto do indivíduo sobre o défice pessoal na sua regulação anímica e temperamental básica.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
22. Às vezes sou consumido(a) pelo ciúme.
Capta a vertente íntima do ressentimento expresso pelo ciúme excessivo ou por uma inveja avassaladora na comparação interpessoal.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
23. Às vezes, sinto que a vida não tem sido justa comigo.
Afere os fundamentos da hostilidade assentes num sentimento profundo e enraizado de injustiça existencial ou de má sorte crónica.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
24. Parece-me que os outros têm sempre mais sorte do que eu.
Explora o enviesamento avaliativo focado na perceção perversa de um benefício injusto recorrentemente atribuído aos pares.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
25. Às vezes pergunto-me porque me sinto tão amargurado(a) com certas coisas.
Mede a autoconsciência amarga que o sujeito desenvolve acerca do seu próprio descontentamento e azedume constantes.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
26. Sei que os meus "amigos" falam de mim nas minhas costas.
Avalia o substrato paranoide ligeiro que faz prevalecer uma desconfiança severa da lealdade e intenção das relações próximas.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
27. Desconfio de estranhos que são demasiado simpáticos.
Regista a postura crónica de suspeição em situações sociais neutras, interpretando a cordialidade desinteressada como perigosa.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
28. Às vezes, tenho a sensação de que as pessoas se riem de mim nas minhas costas.
Capta a ansiedade de humilhação latente, alimentada pela crença firme de que o meio envolvente atua com desdém dissimulado.
Não me corresponde de todo
Corresponde-me pouco
Corresponde-me moderadamente
Corresponde-me bastante bem
Corresponde-me totalmente
29. Quando as pessoas são particularmente simpáticas, pergunto-me o que querem.
Avalia a atribuição persecutória sistemática, convertendo gestos ostensivamente positivos numa prova de manipulação futura.