Avaliação Multidimensional da Consciência Intercetiva

O MAIA (Avaliação Multidimensional da Consciência Intercetiva) é um instrumento validado que disseca a forma como os pacientes percebem e interagem com a…

Avaliação Multidimensional da Consciência Intercetiva
Perguntas
32
Duração
10 min
Título original
MAIA — Multidimensional Assessment of Interoceptive Awareness
Adaptação
Avaliação Multidimensional da Consciência Intercetiva
Autores
Mehling, W.E., Price, C., Daubenmier, J.J., Acree, M., Bartmess, E. & Stewart, A.
Criação
2012

O MAIA (Avaliação Multidimensional da Consciência Intercetiva) é um instrumento validado que disseca a forma como os pacientes percebem e interagem com a sua fisiologia. Ao contrário de questionários focados meramente na ansiedade somática ou na hipervigilância, o MAIA avalia a presença de uma consciência intercetiva adaptativa, distinguindo entre a ruminação ansiosa e a aceitação corporal reguladora.

A sua aplicação sistemática permite-lhe mapear a arquitetura da relação que o indivíduo estabelece com o próprio corpo, oferecendo uma linha de base valiosa para quem procura trabalhar os fundamentos da saúde mental, das emoções, do evitamento e da plena consciência com os seus pacientes.

Além de identificar zonas de alienação ou bloqueio somático, os resultados orientam ativamente o planeamento da terapia. Ao dispor de um perfil das competências que o paciente já possui e daquelas que estão deficitárias, o clínico pode selecionar intervenções dirigidas, tais como trabalhar a regulação da tensão somática em sessão. Pela sua sensibilidade à mudança, o MAIA constitui uma excelente métrica longitudinal ao longo do acompanhamento.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

O MAIA é um questionário de estado-traço com 32 itens e 8 subescalas concebido para avaliar múltiplas dimensões da interocepção por meio de autorrelato, publicado em novembro de 2012. As oito subescalas avaliam: a tendência a notar sensações corporais positivas, negativas e neutras (Notar); a tendência a reconhecer ou ignorar sensações de desconforto/dor (Não Distração); o grau em que sensações de desconforto provocam preocupação (Não Preocupação); o grau percebido de controle e atenção sustentada em direção às sensações corporais (Regulação da Atenção); a consciência das conexões entre estados corporais e estados emocionais (Consciência Emocional); a tendência a atenuar o sofrimento por meio da atenção às sensações corporais (Autorregulação); a escuta ativa das sensações corporais em busca de discernimento (Escuta do Corpo); e a extensão em que as sensações corporais são consideradas seguras e confiáveis (Confiança). Trata-se de um instrumento útil na pesquisa e na prática clínica, particularmente com pacientes acompanhados em abordagens mente-corpo, atenção plena, dor crônica, transtornos alimentares, ansiedade, depressão e trauma somático.
Notar (Notar)
1.5/ 5
Percepção de sensações corporais agradáveis, desagradáveis e neutras.
itens 1, 2, 3, 4
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
1.5
M = 3.94 ± 0.59
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
1.5
M = 3.14 ± 1.15
Confiança (Confiança)
2/ 5
Vivência do próprio corpo como seguro e confiável.
itens 30, 31, 32
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
2
M = 4.13 ± 0.74
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
2
M = 1.73 ± 1.55
Não Preocupação (Não Preocupação)
2/ 5
Tendência a não se preocupar nem vivenciar angústia em resposta a sensações de dor ou desconforto.
itens 8, 9, 10
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
2
M = 3.27 ± 0.84
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
2
M = 2.39 ± 1.17
Escuta do Corpo (Escuta do Corpo)
3/ 5
Escuta ativa do corpo em busca de autocompreensão e discernimento.
itens 27, 28, 29
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
3
M = 3.5 ± 0.87
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
3
M = 1.72 ± 1.35
Não Distração (Não Distração)
3/ 5
Tendência a não ignorar nem se distrair de sensações de dor ou desconforto.
itens 5, 6, 7
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
3
M = 3.2 ± 0.87
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
3
M = 2.12 ± 1.18
Autorregulação (Autorregulação)
2.5/ 5
Capacidade de regular o sofrimento psicológico prestando atenção às sensações corporais.
itens 23, 24, 25, 26
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
2.5
M = 3.86 ± 0.74
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
2.5
M = 2.08 ± 1.34
Consciência Emocional (Consciência Emocional)
2.2/ 5
Consciência da conexão entre sensações corporais e estados emocionais.
itens 18, 19, 20, 21, 22
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
2.2
M = 4.16 ± 0.64
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
2.2
M = 2.88 ± 1.22
Regulação da Atenção (Regulação da Atenção)
2.714/ 5
Capacidade de manter e controlar a atenção direcionada às sensações corporais.
itens 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17
généralemisto · amostra comunitária · Estados Unidos · n = 325 · 2012 · Mehling et al. (2012)
05
2.714
M = 3.79 ± 0.64
cliniquemisto · patologia: Transtornos alimentares · Estados Unidos · n = 362 · 2017 · Brown et al. (2017)
05
2.714
M = 2.33 ± 1.22

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O que o teste mede

O construto da consciência intercetiva é desdobrado em múltiplas facetas psicossociais e de autorregulação. O mapeamento detalhado destas competências serve de bússola para intervenções que pretendam trabalhar a consciência somática, a regulação do arousal e a presença plena em sessão.

  • Notar: A permeabilidade e vigilância construtiva a sensações corporais (agradáveis ou neutras).
  • Não se distrair: A inibição do evitamento face ao desconforto físico crónico ou agudo.
  • Não se preocupar: A ausência de reatividade catastrofista ou distorção angustiada da sensação de dor.
  • Regulação da atenção: A mestria executiva para orientar, manter e flexibilizar o foco interno.
  • Consciência emocional: A tradução fluida entre o mapeamento somático e a identificação do afeto psicossocial.
  • Autorregulação: A capacidade de acalmar a ativação autonómica prestando atenção ao corpo, uma aptidão chave ao trabalhar a regulação emocional e a tolerância ao pico de ativação.
  • Escuta do corpo: A recolha ativa de dados somáticos como suporte à intuição e à decisão comportamental.
  • Confiança no corpo: O ancoramento seguro do self na fisicalidade sem sentimentos de dissociação ou traição.

Este perfil dirige-se à população clínica adulta (psicossomática, perturbações de ansiedade, trauma e dores crónicas), garantindo uma representação multidimensional da corporeidade.

Quando e porquê utilizá-lo

O instrumento está particularmente indicado para traçar o balanço integrativo e orientar a via terapêutica baseando-se num panorama descritivo objetivo.

  • Avaliação psicofisiológica de base: Para determinar o nível de alienação ou integração corporal no momento da adesão à terapia.
  • Monitorização da evolução adaptativa: Permite-lhe objetivar os ganhos alcançados após introduzir técnicas de relaxamento breve com pacientes.
  • Deteção de evitamento cognitivo e somático: Ajuda a identificar indivíduos isolados nas suas funções estritamente mentais, sublinhando a necessidade de os reconectar-se ao ambiente presente.
  • Planeamento de intervenções top-down e bottom-up: Distingue a ansiedade hipocondríaca (atenção desregulada) do genuíno ancoramento orgânico, guiando as prioridades da reestruturação.

A quantificação estruturada trazida pelo MAIA oferece uma diferenciação essencial perante as narrativas imprecisas dos pacientes sobre o seu próprio corpo, orientando o foco clínico para o domínio deficitário.

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As perguntas

  1. Abaixo encontra-se uma lista de afirmações. Indique com que frequência cada afirmação se aplica a si, em geral, na sua vida quotidiana, utilizando a escala de 0 (Nunca) a 5 (Sempre). Responda da forma que melhor corresponde à sua experiência atual, em vez do que acha que deveria ser.
    1. Quando estou tenso(a), percebo onde a tensão se localiza no meu corpo.
    Avalia a deteção primária de sinais somáticos face a reações de stress no quotidiano.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  2. 2. Quando sinto desconforto no meu corpo, noto-o.
    Explora o reconhecimento imediato de mal-estar fisiológico indefinido.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  3. 3. Noto em que parte do meu corpo me sinto confortável.
    Afere a suscetibilidade percetiva às manifestações de conforto físico e segurança.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  4. 4. Percebo as mudanças na minha respiração, por exemplo, quando abranda ou acelera.
    Mede o grau de contacto com a regulação autonómica, em especial o ciclo respiratório.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  5. 5. Não percebo as tensões físicas ou o desconforto até se tornarem graves.
    Identifica barreiras no acesso a sinais precoces e um limite de tolerância somática alargado pela desconexão.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  6. 6. Distraio-me das sensações de desconforto.
    Observa a adoção ativa de estratégias distratoras para silenciar estimulação interna indesejada.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  7. 7. Quando sinto dor ou desconforto, esforço-me para os superar.
    Capta a propensão para suprimir processos somáticos pela força ou inflexibilidade atencional.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  8. 8. Quando sinto dor física, isso deixa-me stressado(a).
    Avalia o impacto ansioso induzido pela intrusão de impulsos dolorosos no campo consciente.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  9. 9. Começo a preocupar-me que algo esteja errado assim que sinto o mais pequeno desconforto.
    Mede a arquitetura ideativa catastrofista acionada por experiências somáticas de baixa intensidade.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  10. 10. Consigo notar uma sensação corporal desagradável sem me preocupar com ela.
    Explora a capacidade de estar presente de forma não reativa, mesmo num contexto sensorial aversivo.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  11. 11. Consigo prestar atenção à minha respiração sem me distrair com o que se passa à minha volta.
    Avalia a estabilidade na manutenção do foco intercetivo perante potenciais inibidores externos.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  12. 12. Consigo manter a consciência das minhas sensações corporais internas mesmo quando estão a acontecer muitas coisas à minha volta.
    Afere a resiliência atencional perante flutuações e enriquecimento sensorial do ambiente exterior.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  13. 13. Quando estou a conversar com alguém, consigo prestar atenção à minha postura.
    Observa a capacidade de monitorização corporal paralela durante o envolvimento interpessoal.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  14. 14. Consigo trazer a minha atenção de volta para o meu corpo quando estou distraído(a).
    Mede o grau de flexibilidade volitiva para realocar a atenção extraviada novamente no self corporificado.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  15. 15. Consigo desviar a minha atenção dos meus pensamentos para a perceção do meu corpo.
    Capta a aptidão executiva para o desengajamento deliberado do modo ruminativo e mental.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  16. 16. Consigo manter a consciência de todo o meu corpo mesmo quando uma parte de mim está dorida ou desconfortável.
    Avalia o recurso de descentração sensorial face a focos intensos de dor, sustentando um todo funcional.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  17. 17. Sou capaz de me concentrar conscientemente no meu corpo como um todo.
    Explora a intencionalidade de uma atenção difusa e inclusiva sobre o espaço interior.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  18. 18. Percebo como o meu corpo muda quando estou zangado(a).
    Identifica a integração intercetiva sob o efeito de reatividade e de defesas agressivas.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  19. 19. Quando algo não está bem na minha vida, consigo senti-lo no meu corpo.
    Afere a permeabilidade psicossomática na identificação de eventos estressantes e dificuldades vitais.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  20. 20. Noto que o meu corpo se sente diferente depois de uma experiência calmante.
    Mede o rastreio fisiológico interno em contextos de reparação e abrandamento autonómico.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  21. 21. Noto que a minha respiração se torna livre e fluida quando me sinto à vontade.
    Observa a consciência específica das reações respiratórias associadas à parassimpaticotonia ou conforto.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  22. 22. Percebo como o meu corpo muda quando me sinto feliz ou alegre.
    Capta a consciência das transformações do substrato biológico perante afetos de valência positiva.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  23. 23. Quando me sinto sobrecarregado(a), consigo encontrar um lugar calmo dentro de mim.
    Explora a capacidade de aceder a representações somáticas seguras como contrapeso emocional ao distress.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  24. 24. Quando presto atenção ao meu corpo, sinto uma sensação de calma.
    Avalia o valor intrinsecamente ansiolítico da deslocação do vetor da atenção para a matéria física.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  25. 25. Consigo usar a minha respiração para reduzir as tensões.
    Afere a instrumentalização direta das vias respiratórias no abrandamento intencional do arousal.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  26. 26. Quando estou perdido(a) nos meus pensamentos, consigo acalmar a minha mente concentrando-me no meu corpo e na minha respiração.
    Mede a proficiência em desativar espirais preocupantes pelo ancoramento simultâneo na matéria e no fôlego.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  27. 27. Escuto o meu corpo para obter informações sobre o meu estado emocional.
    Identifica a conversão construtiva da sensação em decifração subjetiva do mapa afetivo.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  28. 28. Quando estou chateado(a), reservo um tempo para explorar o que sinto no meu corpo.
    Observa a postura atencional inquisitiva ao inspecionar estados interiores aversivos.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  29. 29. Escuto o meu corpo para saber o que devo fazer.
    Capta o recurso efetivo a intuições instigadas pelo corpo na orientação da ação pessoal.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  30. 30. Sinto-me em casa no meu corpo.
    Explora o acolhimento primordial e o enraizamento do Eu na geografia do corpo biológico.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  31. 31. Sinto que o meu corpo é um lugar seguro.
    Avalia o grau de amparo, por oposição à dissociação, na perceção de fiabilidade do organismo.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
  32. 32. Confio nas sensações do meu corpo.
    Mede a validação concetual da informação reportada através das vias aferentes introspetivas.
    • Nunca
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • Sempre
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