Questionário Internacional de Trauma

O Questionário Internacional de Trauma (ITQ) é o instrumento padronizado de referência clínica para a avaliação estruturada da Perturbação de Stress…

Questionário Internacional de Trauma
Perguntas
18
Duração
7 min
Título original
International Trauma Questionnaire
Adaptação
Questionário Internacional de Trauma
Autores
Cloitre, M., Shevlin, M., Brewin, C.R., Bisson, J.I., Roberts, N.P., Maercker, A., Karatzias, T., & Hyland, P.
Criação
2018

O Questionário Internacional de Trauma (ITQ) é o instrumento padronizado de referência clínica para a avaliação estruturada da Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT) e da PSPT Complexa (PSPT-C) orientada pelos parâmetros diagnósticos da CID-11. Desenhado primariamente para maximizar a utilidade terapêutica, foca-se de modo estrito nos sintomas centrais da experiência pós-traumática, delineando uma separação clínica clara entre os padrões intrusivos clássicos e a perturbação profunda da organização do self (DSO), que é característica unicamente das vivências traumáticas de elevada complexidade.

Para a prática e reflexão do clínico, o ITQ viabiliza uma aproximação dupla e indispensável: além de permitir rastrear o limiar dos sintomas habituais de hiperativação e evitamento, mapeia e consolida falhas regulatórias crónicas, crenças negativas imutáveis e o distanciamento interpessoal protetor típicos dos traumas repetidos. Ao integrar esta medida estandardizada no seu acompanhamento, ganha um pilar quantitativo para o suporte da conceptualização de caso, orientando a intervenção ao longo do tempo através da articulação fluida com práticas clínicas específicas, como as intervenções focadas na segurança somática ou as ferramentas de ancoragem no momento presente para atenuar as reações intrusivas desestabilizadoras identificadas no questionário.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

O ITQ é um questionário de autorrelato de 18 itens que avalia sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C) de acordo com a CID-11. Abrange duas subescalas com três agrupamentos cada: TEPT (revivência, evitação, sensação de ameaça) e Perturbações na Auto-Organização (PAO: desregulação afetiva, autoconceito negativo, perturbações nas relações), complementadas por itens de prejuízo funcional. Permite o rastreio, o diagnóstico provisório e o monitoramento de sintomas em adultos expostos a um evento traumático.
CIM-11 · item ≥ 2 ("Moderadamente")Critérios não preenchidos
TEPT (CID-11)10 / 24
Reexperiência (TEPT)0/2 items ≥ 2
Evitação (TEPT)2/2 items ≥ 2
Sensação de ameaça (TEPT)1/2 items ≥ 2
Prejuízo funcional do TEPT2/3 items ≥ 2
TEPT Complexo (CID-11)14 / 24
Desregulação afetiva (PAO)1/2 items ≥ 2
Autoconceito negativo (PAO)1/2 items ≥ 2
Perturbações nas relações (PAO)2/2 items ≥ 2
Prejuízo funcional da PAO1/3 items ≥ 2
Diagnóstico dicotômico: um sintoma está presente se a pontuação do seu item for ≥ 2. TEPT: pelo menos um sintoma presente em cada um dos três agrupamentos de TEPT, mais pelo menos um prejuízo funcional associado. TEPT Complexo: critérios para TEPT preenchidos E pelo menos um sintoma presente em cada um dos três agrupamentos de DSO, mais prejuízo funcional associado a DSO. Um indivíduo recebe a indicação de TEPT ou TEPT Complexo, nunca ambos.
Cloitre et al. (2018)
Desregulação afetiva (PAO)
4/ 8
Mede as dificuldades na regulação emocional, incluindo reatividade emocional aumentada e entorpecimento emocional.
itens 10, 11
4
08
Evitação (TEPT)
5/ 8
Mede os esforços deliberados para evitar lembretes internos e externos que evocam memórias do evento traumático.
itens 3, 4
5
08
Perturbações nas relações (PAO)
7/ 8
Avalia dificuldades em estabelecer e manter relacionamentos próximos, bem como sentimentos de distanciamento ou desconexão em relação aos outros.
itens 14, 15
7
08
Reexperiência (TEPT)
1/ 8
Avalia memórias intrusivas, flashbacks ou pesadelos nos quais o evento traumático é vivenciado como se estivesse acontecendo novamente no momento presente.
itens 1, 2
1
08
Sensação de ameaça (TEPT)
4/ 8
Avalia sentimentos persistentes de perigo atual, manifestando-se como hipervigilância e resposta de sobressalto aumentada.
itens 5, 6
4
08
Autoconceito negativo (PAO)
3/ 8
Avalia crenças negativas persistentes sobre si mesmo, incluindo sentimentos de desvalia e a percepção de si próprio como um fracasso.
itens 12, 13
3
08
Prejuízo funcional da PAO
3/ 12
Mede o impacto dos sintomas de DSO nos relacionamentos, na vida social, na capacidade de trabalho e em outras áreas importantes da vida.
itens 16, 17, 18
3
012
Gravidade da PAO
14/ 24
Gravidade dimensional das perturbações da auto-organização (desregulação afetiva, autoconceito negativo, relacionamentos).
itens 10, 11, 12, 13, 14, 15
0–3
Mínimo
4–6
Leve
7–10
Moderado
11–16
Grave
14
17–24
Muito grave
Prejuízo funcional do TEPT
6/ 12
Mede o impacto dos sintomas de TEPT nos relacionamentos, na vida social, na capacidade de trabalho e em outras áreas importantes da vida.
itens 7, 8, 9
6
012
Gravidade do TEPT
10/ 24
Gravidade dimensional dos sintomas de TEPT (reexperiência, evitação, sensação de ameaça).
itens 1, 2, 3, 4, 5, 6
0–3
Mínimo
4–6
Leve
7–10
Moderado
10
11–16
Grave
17–24
Muito grave

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O que o teste mede

O ITQ foca a sua grelha interpretativa na mensuração global e rigorosa dos sintomas que suportam as manifestações da PSPT e da PSPT Complexa em doentes expostos a eventos traumáticos prolongados ou adversos agudos, subdividindo-se em três blocos operacionais.

  • Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT): Dimensiona clinicamente a intrusão do evento sob a forma de revivências no aqui e agora, o evitamento fóbico a lembranças internas ou externas, e o permanente estado de apreensão em sobrealerta.
  • Perturbações na Organização do Self (DSO): Averigua as falhas na modulação das respostas emocionais, frequentemente um alvo prioritário suportado pela meditação focada na tolerância emocional, identificando também o autoconceito vincado pelo fracasso e a rotura crónica com os laços interpessoais.
  • Impacto e Sobrecarga Funcional: Determina a medida em que a constelação destes perfis compromete cabalmente as vertentes social e laboral, interferência amiúde mantida ou intensificada pelas rígidas crenças internalizadas ao longo das adversidades.

Este modelo dimensiona estas variáveis fundamentais numa população adulta ou adolescente afetada, com fins explícitos de enquadramento ou diagnóstico diferencial.

Quando e porquê utilizá-lo

O profissional recorre ao ITQ no arranque da planificação clínica ou nas diferentes fases de reavaliação dos protocolos para identificar a especificidade estrutural da patologia pós-traumática em curso.

  • Rastreio e Intake Diagnóstico: Para deslindar se os sintomas partilhados traduzem as respostas fisiológicas de PSPT de evento único, ou se evoluíram até às sequelas mais intrincadas da organização do self, impondo frequentemente a exploração clínica e o esclarecimento de uma crença nuclear bloqueadora.
  • Definição de Linhas de Intervenção: Para sequenciar, nos doentes que cruzam o limiar para quadros complexos, a imperativa fase de estabilização afetiva e identidade, adiando a terapia de exposição à memória traumática.
  • Avaliação Contínua e Responsividade: Para monitorizar se os clusters do evitamento fóbico ou da desregulação se aliviam substancialmente após a consolidação das intervenções clínicas selecionadas.
  • Clarificação do Risco de Isolamento: Para fundamentar com um suporte formal o ponto em que a vergonha interior, em que o paciente se sente inútil, fratura os vínculos com o mundo e agrava o prognóstico de evolução da doença.

Os resultados validados pelo ITQ adicionam ao puro juízo clínico uma ancoragem no algoritmo que sustenta a orientação diagnóstica da CID-11, ajudando as equipas de intervenção na diferenciação objetiva dos contornos das necessidades agudas.

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As perguntas

  1. Por favor, identifique a experiência que mais o perturba e responda às questões em relação a essa experiência. Especifique brevemente a natureza da experiência e há quanto tempo ocorreu. As questões 1 a 9 referem-se a dificuldades que pode ter sentido NO ÚLTIMO MÊS: para cada uma, indique em que medida foi perturbado(a) por esse problema, de 0 (Nem um pouco) a 4 (Extremamente). Os itens 10 a 15 referem-se à forma como tipicamente se sente, pensa sobre si mesmo(a) e se relaciona com os outros: indique até que ponto a afirmação é verdadeira para si. Os itens 16 a 18 referem-se ao impacto destas dificuldades durante o último mês.
    1. Ter sonhos perturbadores em que parte da experiência se repete ou que estão claramente relacionados com a experiência?
    Explora o impacto das intrusões durante o período de repouso, documentando a perturbação gerada pelos sonhos invasivos.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  2. 2. Ter imagens ou memórias fortes (que vêm à mente) como se a experiência estivesse a acontecer de novo, aqui e agora?
    Sinaliza a intensidade dos flashbacks e das reativações visuais em que a ameaça aparenta transpor o presente do doente.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  3. 3. Evitar sentimentos que relembram a experiência (por exemplo, pensamentos, emoções ou sensações físicas)?
    Avalia o nível da fuga ativa na relação com marcadores fisiológicos, pensamentos e estados emocionais condicionados pelo evento.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  4. 4. Evitar elementos externos que relembram a experiência (por exemplo, pessoas, lugares, conversas, objetos, atividades ou situações)?
    Identifica a constrição nos comportamentos e mobilidade induzidos pelo evitamento dos cenários, encontros ou interações de estímulo-alvo.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  5. 5. Estar em estado de hiperalerta, vigilância ou em guarda?
    Observa a exaustiva componente noradrenérgica através da perpetuação do sentimento físico de ameaça difusa e defesa.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  6. 6. Reação de surpresa exagerada ou sobressalto?
    Deteta as manifestações neurovegetativas de reatividade aprimorando a leitura do sistema de alerta ao mínimo ruído e disrupção inesperada.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  7. 7. Isso afetou as tuas relações e a tua vida social?
    Averigua o prejuízo social causado exclusivamente pela grelha de sintomas básicos de PSPT rastreada até ao momento.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  8. 8. Isso afetou o teu trabalho ou a tua capacidade de trabalhar?
    Mensura o bloqueio funcional na performance laboriosa devido aos domínios nucleares do stress pós-traumático clássico.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  9. 9. Isso afetou outras partes importantes da tua vida, como a capacidade de cuidar dos teus filhos, os teus estudos ou quaisquer outras atividades importantes?
    Inquire como os elementos psicofisiológicos das sequelas imediatas paralisam outros domínios de importância existencial para o indivíduo.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  10. 10. Quando estou chateado(a), levo muito tempo para me acalmar.
    Mede a incapacidade de recuperar prontamente a homeostasia fisiológica e afetiva pós-perturbação na matriz da complexidade.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  11. 11. Sinto-me insensível ou emocionalmente desligado(a).
    Afere os processos de desligamento dissociativo automático enquanto estratégia extrema na neutralização da intolerância à dor existencial.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  12. 12. Sinto-me um(a) inútil.
    Procura identificar as consequências crónicas no desenvolvimento de ideias patológicas em relação às competências volitivas do *self*.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  13. 13. Sinto-me sem valor.
    Rastreia os quadros cognitivos rígidos sobre uma perceção basilar de indignidade e abjeção de si mesmo.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  14. 14. Sinto-me distante ou desligado(a) dos outros.
    Assinala as fraturas invisíveis na forma em como a presença da patologia traumática isola mentalmente o doente do afeto com o exterior.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  15. 15. Acho difícil manter-me emocionalmente próximo(a) dos outros.
    Avalia de modo incisivo a impermeabilidade à construção de laços emocionais reparadores em quadros de PSPT-C.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  16. 16. Estes problemas causaram preocupação ou angústia em relação às tuas relações ou à tua vida social?
    Mapeia as consequências limitadoras da erosão emocional e identitária específica sobre a vivência social na PSPT Complexa.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  17. 17. Estes problemas afetaram o teu trabalho ou a tua capacidade de trabalhar?
    Determina o nível de bloqueio da eficácia no ambiente de trabalho promovido essencialmente pelos distúrbios de organização de *self*.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
  18. 18. Estes problemas afetaram outras partes importantes da tua vida, como a capacidade de cuidar dos teus filhos, os teus estudos ou quaisquer outras atividades importantes?
    Consolida a observação diagnóstica do abrandamento pervasivo que a PSPT-C desencadeia no cuidado com a própria família e outros focos vitais.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Muito
    • Extremamente
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