Questionário de Ansiedade de Separação de Adultos

O Questionário de Ansiedade de Separação de Adultos (ASA-27) é a medida psicométrica de referência para avaliar a ansiedade de separação na idade adulta, um…

Questionário de Ansiedade de Separação de Adultos
Perguntas
27
Duração
10 min
Título original
ASA-27 — Adult Separation Anxiety Questionnaire
Adaptação
Questionário de Ansiedade de Separação de Adultos
Autores
Manicavasagar, V., Silove, D., Wagner, R., & Drobny, J.
Criação
2003

O Questionário de Ansiedade de Separação de Adultos (ASA-27) é a medida psicométrica de referência para avaliar a ansiedade de separação na idade adulta, um quadro frequentemente subdiagnosticado ou confundido com a perturbação de pânico e a agorafobia. Embora classicamente associada à infância, a ansiedade de separação pode persistir ou emergir na idade adulta, manifestando-se por uma preocupação excessiva com as figuras de vinculação e uma dificuldade profunda em tolerar o isolamento ou a distância.

Na prática clínica, o ASA-27 permite mapear com rigor os sintomas centrais desta condição, desde a hipervigilância face à perda até aos sintomas somáticos antecipatórios. Sendo uma medida padronizada e repetível, oferece aos clínicos um suporte robusto para rastrear sintomas, orientar a exploração de crenças limitantes subjacentes à dependência e monitorizar a evolução da autonomia relacional do paciente ao longo do tratamento.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

Pontuação global
39/ 81
O ASA-27 é um questionário de autorrelato de 27 itens para adultos (com 18 anos ou mais) que avalia sintomas de ansiedade de separação em adultos: sofrimento antecipado ou real mediante a separação de figuras de apego, preocupações excessivas quanto à sua segurança, sintomas físicos, dificuldade para dormir sozinho, comportamentos de esquiva e apego excessivo. Desenvolvido a partir dos critérios diagnósticos do DSM para o transtorno de ansiedade de separação, é utilizado principalmente como ferramenta de triagem para o transtorno de ansiedade de separação em adultos e para avaliar a gravidade dos sintomas, especialmente em populações clínicas ou em indivíduos que exibem níveis moderados a elevados de transtorno de ansiedade de separação em adultos (ASAD). O ASAD também é referido pelo acrônimo SEPAD (Transtorno de Ansiedade de Separação em Adultos).
0–15
Ansiedade de separação baixa ou ausente
16–21
Alguma ansiedade de separação
22–81
Provável transtorno de ansiedade de separação no adulto
39
Indica a presença de sintomas graves e invasivos de ansiedade de separação que envolvem comportamentos de esquiva, dependência, preocupação excessiva com danos a figuras de apego e dificuldade de funcionamento independente.
généralesexo feminino · população geral · n = 482 · Finsaas et al. (2020)
081
39
M = 10.34 ± 9.61
généralesexo masculino · população geral · n = 407 · Finsaas et al. (2020)
081
39
M = 8.1 ± 8.46
cliniquemisto · patologia: transtornos de humor e de ansiedade · n = 509 · Pini et al. (2021)
081
39
M = 29.11 ± 15.6
Pontuação
Soma dos itens (pontuação unidimensional), pontuação total variando de 0 a 81, cada item é pontuado em uma escala de 4 pontos (de 0 a 3).

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O que o teste mede

O ASA-27 mede a intensidade da ansiedade de separação através de um modelo unidimensional, captando as diferentes manifestações clínicas do apego ansioso e da intolerância à distância física ou emocional. Os itens avaliam:

  • Medo do abandono e da perda: preocupação excessiva com acidentes, doenças ou ruturas que possam afastar as figuras de vinculação.
  • Evitamento da solidão: incapacidade de dormir, viajar ou permanecer em casa sem a presença de uma figura de segurança.
  • Reatividade fisiológica: sintomas somáticos (náuseas, dores) e ataques de pânico desencadeados pela antecipação ou pela ocorrência da separação.
  • Comportamentos de segurança: hábitos como manter as luzes acesas, necessidade de contacto telefónico constante ou excesso de verbalização para manter os outros por perto.

O teste destina-se à população adulta (maiores de 18 anos) que apresente dificuldades de autonomia, dependência relacional acentuada ou sintomas ansiosos que emergem perante a separação de pessoas significativas.

Quando e porquê utilizá-lo

A aplicação do ASA-27 é clinicamente útil sempre que a autonomia do paciente se mostre comprometida pelo medo crónico da perda ou por uma dependência relacional excessiva. O uso desta escala validada permite ir além da impressão clínica geral. As principais indicações incluem:

  • Avaliação inicial de quadros ansiosos: permite rastrear ativamente a ansiedade de separação, frequentemente camuflada sob queixas genéricas ou comportamentos automáticos de evitamento.
  • Esclarecimento do diagnóstico diferencial: ajuda a distinguir o evitamento próprio da ansiedade de separação daquele observado na agorafobia ou na perturbação de pânico.
  • Monitorização da evolução terapêutica: quantifica de forma objetiva o progresso da autonomia e a redução do ciclo de reasseguramento ao longo do acompanhamento.
  • Direcionamento do foco da intervenção: identifica áreas funcionais específicas (por exemplo o sono, as viagens, as rotinas) que exigem estratégias focadas nas sessões clínicas.

Ao quantificar a sintomatologia, o ASA-27 oferece uma linha de base clara, permitindo ao clínico e ao paciente validar objetivamente as melhorias na tolerância à autonomia.

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As perguntas

  1. As seguintes afirmações referem-se a sintomas que pode ter experienciado na idade adulta (após os 18 anos). Para cada item, indique a frequência com que sentiu esse sintoma. Por favor, responda a todas as questões.
    1. Sentiste-te mais seguro(a) em casa quando estás com pessoas que te são próximas?
    Explora a necessidade de proximidade para garantir a regulação da sensação de segurança no ambiente doméstico.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  2. 2. Tiveste dificuldades em ficar longe de casa por várias horas seguidas?
    Avalia a tolerância do paciente ao afastamento prolongado do seu porto seguro habitual.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  3. 3. Adquiriste o hábito de levar na tua mala ou carteira algo que te dê uma sensação de segurança ou conforto?
    Identifica a dependência de objetos de transição como estratégia compensatória para gerir a ansiedade.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  4. 4. Sentiste um stresse extremo antes de sair de casa para uma viagem longa?
    Afere a presença de ansiedade antecipatória perante o afastamento imposto por deslocações longas.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  5. 5. Tiveste pesadelos ou sonhos nos quais estavas separado(a) de uma pessoa próxima?
    Examina a intrusão do medo da separação nos processos inconscientes e na qualidade do sono.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  6. 6. Sentiste um stresse extremo antes de te despedires de uma pessoa próxima para ir viajar?
    Capta a desregulação emocional despoletada pelos momentos de despedida de figuras de vinculação.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  7. 7. Ficaste muito chateado(a) quando a tua rotina diária habitual foi perturbada?
    Avalia a rigidez comportamental e a reatividade perante quebras na previsibilidade diária.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  8. 8. Preocupaste-te com a intensidade da relação que tens com as pessoas próximas, por exemplo, com o sentimento de seres demasiado apegado(a) a elas?
    Investiga a consciência da pessoa sobre o caráter possivelmente excessivo do seu apego.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  9. 9. Sentiste sintomas como dores de cabeça, dores de estômago ou náuseas (ou outros) antes de ir para o trabalho ou para outra atividade regular fora de casa?
    Rastreia as manifestações somáticas que antecedem as saídas de rotina e a separação diária.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  10. 10. Percebes que falas muito para manter as pessoas perto de ti?
    Examina a hiperverbalização como mecanismo de controlo e de retenção das pessoas ao seu redor.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  11. 11. Ficaste particularmente preocupado(a) com os lugares para onde vão as pessoas próximas quando estás separado(a) delas (por exemplo, quando as deixas para ir trabalhar ou sair de casa)?
    Avalia o nível de hipervigilância e controlo sobre a localização das figuras de segurança.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  12. 12. Tiveste dificuldades em dormir sozinho(a) à noite (por exemplo, dormes melhor quando uma pessoa próxima está em casa)?
    Identifica dificuldades na autonomia noturna e a dependência da presença do outro para conciliar o sono.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  13. 13. Notaste que adormeces mais facilmente se puderes ouvir a voz das pessoas próximas ou o som da televisão ou do rádio?
    Explora a necessidade de estímulos sensoriais de familiaridade como substitutos da proximidade física.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  14. 14. Ficaste muito angustiado(a) ao pensar em estar longe das pessoas próximas?
    Avalia a intensidade da angústia puramente cognitiva e antecipatória perante o afastamento.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  15. 15. Tiveste pesadelos ou sonhos nos quais estavas longe de casa?
    Rastreia a reatividade onírica ligada à sensação de desterro ou de falta de porto seguro.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  16. 16. Preocupaste-te muito com a ideia de que um mal grave pudesse acontecer às pessoas próximas, por exemplo, um acidente de carro ou uma doença fatal?
    Explora a [catastrofização](/blog/pt/exercicio-catastrofizacao-reestruturacao-cognitiva) focada na integridade física e na sobrevivência das figuras de apego.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  17. 17. Ficaste muito chateado(a) com mudanças na tua rotina diária habitual quando interferiram no teu contato com as pessoas próximas?
    Identifica a intolerância a mudanças que ameaçam diretamente o acesso e o contacto com pessoas significativas.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  18. 18. Preocupaste-te muito com a ideia de que as pessoas que são importantes para ti te deixassem?
    Afere o medo nuclear de rejeição e abandono definitivo por parte dos outros significativos.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  19. 19. Descobriste que dormes melhor quando as luzes ficam acesas em casa ou no quarto?
    Avalia o recurso a estímulos ambientais (luz) como comportamento de segurança noturno contra o medo.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  20. 20. Tentaste evitar ficar sozinho(a) em casa, especialmente quando as pessoas próximas saíram?
    Examina o evitamento comportamental ativo perante o facto de ficar sozinho no domicílio.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  21. 21. Tiveste crises súbitas de ansiedade ou ataques de pânico (p. ex., tremores súbitos, suores, falta de ar, coração acelerado) ao pensar em deixar as pessoas próximas ou na ideia de que elas te deixassem?
    Rastreia a ocorrência de pânico franco e reatividade autonómica na antecipação do afastamento.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  22. 22. Percebeste que ficas ansioso(a) se não falares regularmente ao telefone com as pessoas próximas (p. ex., todos os dias)?
    Explora a dependência de contacto remoto constante para regular a ativação ansiosa.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  23. 23. Tiveste medo de não conseguir lidar com a situação, ou de não conseguir continuar, se uma pessoa que é importante para ti te deixasse?
    Avalia o sentido de ineficácia pessoal e o medo de não sobreviver sem o suporte relacional.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  24. 24. Tiveste crises súbitas de ansiedade ou ataques de pânico (p. ex., tremores súbitos, suores, falta de ar, coração acelerado) quando estavas separado(a) das pessoas próximas?
    Identifica episódios de pânico agudo desencadeados durante separações reais ou atuais.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  25. 25. Preocupaste-te muito com eventos que te pudessem separar das pessoas próximas (p. ex., obrigações profissionais)?
    Afere a preocupação ruminativa com contingências externas que possam forçar uma separação.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  26. 26. Pessoas próximas já te disseram que «falas muito»?
    Rastreia o feedback do meio envolvente sobre os comportamentos compensatórios de retenção verbal.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
  27. 27. Preocupaste-te que as tuas relações com certas pessoas fossem tão próximas que isso lhes pudesse causar problemas?
    Avalia a perceção do impacto negativo que a dependência excessiva pode ter na própria relação.
    • Isso nunca me acontece
    • Isso me acontece ocasionalmente
    • Isso me acontece com bastante frequência
    • Isso me acontece com muita frequência
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