Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5 (PCL-5) - Versão Portuguesa

A Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5 (PCL-5) é um dos instrumentos psicométricos mais estabelecidos na prática clínica para a avaliação do…

Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5 (PCL-5) - Versão Portuguesa
Perguntas
20
Duração
10 min
Título original
PCL-5 — Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5
Adaptação
Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5 (PCL-5) - Versão Portuguesa
Autores
Weathers, F. W., Litz, B. T., Keane, T. M., Palmieri, P. A., Marx, B. P., & Schnurr, P. P.
Criação
2013

A Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5 (PCL-5) é um dos instrumentos psicométricos mais estabelecidos na prática clínica para a avaliação do trauma. Desenvolvida pelos autores do National Center for PTSD, esta medida quantifica de forma fiável a sintomatologia pós-traumática, refletindo fielmente a estrutura diagnóstica do atual manual psiquiátrico.

Para além do mero rastreio, a PCL-5 oferece ao clínico uma base padronizada e repetível para mapear a configuração específica do sofrimento do paciente. O instrumento avalia diretamente os quatro agrupamentos de sintomas centrais: reviviscência, evitamento, alterações cognitivo-afetivas e hiperativação, permitindo identificar as áreas mais reativas e orientar estratégias eficazes para combater a ansiedade envolvida nos gatilhos.

Sendo uma medida sensível à mudança, a PCL-5 é altamente recomendada para acompanhar a trajetória terapêutica continuada. A sua aplicação regular faculta um registo objetivo da evolução e permite fazer o balanço: monitorizar a ansiedade em sessão, apoiando assim a tomada de decisão em psicoterapias focadas no trauma e otimizando a avaliação da eficácia da intervenção clínica.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

Pontuação global
40/ 80
Um questionário de autorrelato de 20 itens que avalia a presença e a gravidade dos sintomas do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) de acordo com os critérios diagnósticos do DSM-5 no último mês. Abrange os quatro agrupamentos de sintomas: intrusão/revivência (Critério B, itens 1–5), evitação (Critério C, itens 6–7), alterações negativas nas cognições e no humor (Critério D, itens 8–14) e alterações na excitabilidade e reatividade (Critério E, itens 15–20). Utilizado em adultos para triagem, avaliação de gravidade e monitoramento de sintomas de TEPT em contextos clínicos e de pesquisa.
0–24
Dentro dos limites normais
25–32
Leve
33–49
Moderado
40
50–65
Grave
66–80
Extremamente grave
Pontuação média por item de 1.64 (exclusivo) a 2.455.
généralemisto · amostra comunitária · não clínica — mistura de indivíduos expostos ou não expostos a trauma (sem TEPT) · Estados Unidos · n = 166 · 2016 · Renyer (2016)
080
40
M = 16.47 ± 16.29
cliniquemisto · patologia: TEPT · veteranos militares em tratamento para TEPT · Estados Unidos · n = 468 · 2016 · Bovin et al. (2016)
080
40
M = 36.97 ± 21.16
A título informativo
Ponto de corte≥ 33Significância clínica
Ponto de corte alternativo para identificar sintomas significativos de TEPT que interferem no funcionamento diário.
Bovin et al. (2016) · Krüger-Gottschalk et al. (2017) · Rosendahl et al. (2019)
Pontuação
Soma total + somas das subescalas, pontuação total de 0 a 80, cada item é pontuado em uma escala de 5 pontos (de 0 a 4).
Revivência (intrusão)
10/ 20
Esta subescala avalia a revivência persistente do(s) evento(s) traumático(s) por meio de pensamentos intrusivos, pesadelos, flashbacks ou memórias angustiantes. Os indivíduos podem sentir como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente, levando a um sofrimento psicológico significativo. Os sintomas de revivência podem ser desencadeados por pistas internas ou externas relacionadas ao evento traumático.
itens 1, 2, 3, 4, 5
0–6
Dentro dos limites normais
7–8
Leve
9–12
Moderado
10
13–16
Grave
17–20
Extremamente grave
Pontuação média por item de 1.64 (exclusivo) a 2.455.
Evitação
1/ 8
Esta subescala avalia os esforços para evitar pensamentos, sentimentos ou lembretes associados ao evento traumático. Os comportamentos de evitação podem incluir evitar lugares, pessoas, atividades ou conversas que lembrem o indivíduo do trauma. A evitação serve como um mecanismo de enfrentamento para reduzir o sofrimento, mas pode interferir na capacidade do indivíduo de processar e se recuperar do trauma.
itens 6, 7
0–2
Dentro dos limites normais
1
3–3
Leve
4–4
Moderado
5–6
Grave
7–8
Extremamente grave
Pontuação média por item ≤ 1.23 (Descritores de gravidade baseados na distância da média normativa (pontuação média por item 0–4), aplicados à pontuação total e a cada subescala.)
Alterações negativas nas cognições e no humor
15/ 28
Esta subescala avalia o impacto negativo nos pensamentos e sentimentos que se iniciaram ou pioraram após o evento traumático. Os sintomas podem incluir crenças negativas persistentes sobre si mesmo, os outros ou o mundo; culpabilização distorcida de si mesmo ou de outros por causar o evento traumático; emoções negativas persistentes, como medo, raiva, culpa ou vergonha; diminuição do interesse em atividades antes prazerosas; sentimento de distanciamento em relação aos outros; e incapacidade de vivenciar emoções positivas.
itens 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14
0–8
Dentro dos limites normais
9–11
Leve
12–17
Moderado
15
18–22
Grave
23–28
Extremamente grave
Pontuação média por item de 1.64 (exclusivo) a 2.455.
Alterações na excitabilidade e reatividade
14/ 24
Esta subescala avalia o aumento da excitabilidade e reatividade, que pode se manifestar como dificuldade para dormir, irritabilidade, explosões de raiva, dificuldade de concentração, hipervigilância e resposta de sobressalto exagerada. Indivíduos com sintomas de hiperexcitabilidade podem se sentir constantemente no limite, como se estivessem em estado de alerta aumentado ou perigo.
itens 15, 16, 17, 18, 19, 20
0–7
Dentro dos limites normais
8–9
Leve
10–14
Moderado
14
15–19
Grave
20–24
Extremamente grave
Pontuação média por item de 1.64 (exclusivo) a 2.455.

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O que o teste mede

A PCL-5 operacionaliza os 20 critérios diagnósticos da PSPT (Perturbação de Stresse Pós-Traumático), permitindo aferir a expressão fenotípica e a intensidade do sofrimento num período retrospectivo de um mês. O instrumento divide-se em quatro dimensões clínicas estruturais:

  • Reviviscência (Intrusão): Avalia a presença de memórias involuntárias, pesadelos, flashbacks e a intensa reatividade psicofisiológica perante os lembretes do evento.
  • Evitamento: Mede o esforço ativo do paciente para suprimir pensamentos difíceis ou para se afastar de lugares e pessoas associadas ao trauma, um padrão comportamental que frequentemente é o foco da psicoeducação sobre comportamentos automáticos.
  • Alterações negativas (Cognição e Humor): Captura a amnésia dissociativa, as crenças disfuncionais sobre si próprio e o mundo, a anedonia e o distanciamento relacional, aspetos que em fase avançada justificam a exploração da origem das crenças desenvolvidas.
  • Hiperativação (Reatividade): Identifica a irritabilidade constante, os comportamentos de risco, a hipervigilância, a resposta de sobressalto exagerada e as perturbações no sono e na capacidade de concentração.

A escala destina-se a pacientes adultos que tenham vivenciado ou testemunhado um acontecimento adverso grave e potencialmente disruptivo.

Quando e porquê utilizá-lo

A integração sistemática da PCL-5 na prática clínica oferece um referencial de avaliação estruturado, valioso tanto no momento de acolhimento como na manutenção. As principais indicações de uso clínico incluem:

  • Rastreio inicial: Permite identificar a presença provável de sintomatologia perante uma queixa pouco clara, somática ou predominantemente reativa.
  • Formulação de caso: Ajuda a balizar o peso de cada dimensão no funcionamento diário, orientando o plano de intervenção e sinalizando, por exemplo, a oportunidade de introduzir um áudio de treino de relaxamento para regular a hiperativação.
  • Monitorização longitudinal: A repetição da escala ao longo das consultas de reavaliação possibilita aferir de modo tangível a resposta aos processos terapêuticos.
  • Apoio clínico à entrevista: Permite uma triagem estruturada que complementa a narrativa livre, garantindo que nenhum grupo de sintomas é inadvertidamente omitido na avaliação qualitativa.

Um resultado validado na PCL-5 confere assim robustez métrica à impressão empírica do psicólogo ou psiquiatra, traduzindo o impacto reportado numa métrica observável.

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As perguntas

  1. Abaixo encontra-se uma lista de problemas que as pessoas às vezes apresentam após uma experiência muito estressante. Por favor, leia cada afirmação com atenção e assinale a opção que melhor indica em que medida esse problema o(a) afetou durante o último mês.
    1. Lembranças indesejadas, perturbadoras e repetitivas da experiência estressante?
    Este item avalia a frequência e o impacto das memórias intrusivas e recorrentes ligadas ao evento traumático.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  2. 2. Sonhos repetidos e angustiantes sobre a experiência estressante?
    Explora a presença noturna de pesadelos ou sonhos angustiantes relacionados diretamente com o acontecimento.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  3. 3. Sentir-te ou agir subitamente como se estivesses revivendo a experiência estressante?
    Mede a ocorrência de episódios dissociativos agudos, vulgarmente designados flashbacks, onde o trauma é reexperienciado.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  4. 4. Sentir-te mal quando algo te recorda o acontecimento?
    Analisa o grau de sofrimento psicológico ou mal-estar desencadeado perante gatilhos simbólicos internos ou externos.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  5. 5. Ter reações físicas fortes quando algo te recorda o acontecimento (coração acelerado, dificuldade para respirar, suor)?
    Avalia o componente autonómico e a reatividade fisiológica manifesta face aos referidos lembretes do evento adverso.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  6. 6. Tentar evitar lembranças, pensamentos e sentimentos relacionados ao acontecimento?
    Capta a tentativa sistemática de fuga interna, através da supressão de pensamentos ou bloqueio de emoções dolorosas.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  7. 7. Tentar evitar pessoas e coisas que te recordam a experiência estressante (lugares, pessoas, atividades, objetos)?
    Quantifica o evitamento comportamental, como recusar frequentar os contextos ou contactar pessoas associadas ao trauma.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  8. 8. Dificuldades em te lembrares de partes importantes do acontecimento?
    Identifica possíveis lapsos de memória ou sinais de amnésia dissociativa referentes a aspetos centrais do acontecimento.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  9. 9. Crenças negativas sobre ti mesmo, os outros, o mundo (crenças como: eu sou mau, há algo de errado comigo, não posso confiar em ninguém, o mundo é perigoso)?
    Verifica a intensidade da reestruturação cognitiva negativa gerada pelo trauma, focada na autoimagem ou na hostilidade do mundo.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  10. 10. Culpar-te a ti mesmo ou culpar outra pessoa pelo acontecimento ou pelo que se seguiu?
    Mede a manifestação de distorções e inferências irracionais em torno da culpa atribuída a si mesmo ou a terceiros pelo ocorrido.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  11. 11. Ter sentimentos negativos intensos como medo, horror, raiva, culpa ou vergonha?
    Analisa o desenvolvimento de um estado afetivo pervasivo marcado pelo predomínio constante de emoções desagradáveis.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  12. 12. Perder o interesse por atividades de que gostavas antes?
    Capta a redução de interesse no quotidiano (anedonia), uma alteração que encontra vasto eco terapêutico na aplicação da [ACT para a depressão](/blog/pt/act-depressao-programa-aceitacao-compromisso).
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  13. 13. Sentir-te distante ou desligado(a) dos outros?
    Avalia o emergir de um sentimento generalizado de isolamento, estranheza relacional ou profunda alienação perante os pares.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  14. 14. Ter dificuldade em sentir emoções positivas (por exemplo, ser incapaz de sentir alegria ou amor pelos teus entes queridos)?
    Mede a restrição das vivências afetivas, centrada na incapacidade severa para acolher emoções calorosas e prosociais.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  15. 15. Comportamento irritável, explosões de raiva ou agir de forma agressiva?
    Explora o descontrolo dos impulsos reativos, manifestado muitas vezes através da hostilidade verbal desproporcionada ou reatividade física.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  16. 16. Assumir riscos excessivos ou ter comportamentos que poderiam colocar-te em perigo?
    Identifica a instauração de condutas francamente negligentes em que a pessoa se expõe a danos físicos por desregulação da sobrevivência.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  17. 17. Estar em estado de 'superalerta', hipervigilante ou na defensiva?
    Verifica a alteração do nível basal de arousal, convertida num alerta contínuo face a potenciais (e muitas vezes inexistentes) ameaças.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  18. 18. Sobressaltar-se facilmente?
    Avalia o abaixamento generalizado do limiar de excitabilidade, visível numa reação de sobressalto exagerada face a estímulos neutros (ex. um ruído).
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  19. 19. Ter dificuldade em te concentrares?
    Mede a interferência secundária da hiperativação nas funções neurocognitivas sustentadas, em especial a concentração.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
  20. 20. Ter dificuldade em adormecer ou em permanecer adormecido(a)?
    Analisa as perturbações fundamentais da arquitetura do ciclo vigília-sono decorrentes da desregulação autonómica instalada.
    • De modo algum
    • Um pouco
    • Moderadamente
    • Bastante
    • Extremamente
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