Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo

A Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS), adaptada e validada amplamente, é o suporte de referência mundial na prática clínica para o despiste e…

Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo
Perguntas
10
Duração
5 min
Título original
EPDS — Edinburgh Postnatal Depression Scale
Adaptação
Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo
Autores
Cox, J.L., Holden, J.M. & Sagovsky, R.
Criação
1987

A Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS), adaptada e validada amplamente, é o suporte de referência mundial na prática clínica para o despiste e acompanhamento dos sintomas depressivos em mulheres no período gestacional e puerperal. A sua conceção procurou deliberadamente focar a medição em componentes psicossociais centrais. Ao contornar a confusão habitualmente gerada pela inclusão de critérios somáticos ambíguos (como exaustão corporal ou distúrbios de apetite puramente fisiológicos), o instrumento garante uma distinção rigorosa e permite isolar a vivência estritamente psicológica e afetiva característica da patologia depressiva.

Na prática do acompanhamento de grávidas e puérperas, este instrumento não só assinala precocemente a necessidade de apoio especializado, como constitui um aliado fiável na monitorização recorrente. A cotação periódica, facilmente integrada nas dinâmicas ágeis de consultório, torna-se essencial no delineamento de intervenções, seja numa abordagem primária focada em trabalhar a atribuição excessiva de responsabilidade, seja na organização de um suporte intensivo para mitigar a exacerbação grave do humor materno. Representa assim uma âncora robusta na avaliação empírica da trajetória da paciente.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

Pontuação global
13/ 30
Um questionário de rastreio de autorrelato de 10 itens concebido para identificar sintomas depressivos em mulheres no período perinatal (gravidez e pós-parto), sendo também adequado para utilização com pais. A EPDS não fornece um diagnóstico, mas identifica indivíduos para os quais está indicada uma avaliação clínica aprofundada de depressão perinatal. Cada item aborda experiências emocionais ao longo dos últimos 7 dias.
0–6
Depressão ausente ou mínima
7–13
Depressão leve
13
14–19
Depressão moderada
20–30
Depressão grave
Os intervalos de gravidade na EPDS foram estabelecidos através da identificação de pontuações na EPDS que correspondiam aos intervalos de gravidade estabelecidos no BDI.
A título informativo
Ponto de corte≥ 10Ponto de corte para Depressão Maior (Alta Sensibilidade)
Este ponto de corte maximiza a deteção de casos de depressão maior (alta sensibilidade), mas resulta num número mais elevado de falsos positivos (menor especificidade). É adequado para um rastreio de primeira etapa, no qual a prioridade é minimizar os casos não detetados.
Levis et al. (2020)Ver o estudo
Ponto de corte≥ 11Ponto de corte para Depressão Maior (Equilibrado)
Um ponto de corte frequentemente utilizado que proporciona um equilíbrio entre a sensibilidade (identificar corretamente os casos) e a especificidade (identificar corretamente os não casos).
Levis et al. (2020)Ver o estudo
Ponto de corte≥ 13Ponto de corte para Depressão Maior (Alta Especificidade)
Este ponto de corte minimiza o número de falsos positivos (alta especificidade), sendo adequado para contextos em que a redução de encaminhamentos desnecessários para avaliação diagnóstica complementar é uma prioridade, com o custo de não identificar mais casos verdadeiros.
Levis et al. (2020)Ver o estudo
Pontuação
Soma dos 10 itens (0-3 por item), com pontuação total variando de 0 a 30, sendo cada item pontuado numa escala de 4 pontos (de 0 a 3).

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O que o teste mede

A EPDS foca-se na identificação da sintomatologia clínica no período perinatal. Ao excluir as manifestações estritamente físicas, a escala clarifica a dimensão psicológica da vivência da paciente.

  • Anedonia e Desesperança: a perda da capacidade de sentir prazer (anedonia) e a ausência de perspetivas positivas, sinais frequentemente abordados num exercício clínico sobre a tristeza.
  • Culpa Perinatal: a tendência para a auto-responsabilização excessiva por eventuais falhas, uma dimensão onde pode ser útil avaliar a utilidade de um pensamento distorcido sobre o desempenho materno.
  • Ansiedade e Medo: a ocorrência de pânico, apreensão desmedida e inquietação que afeta a estabilidade materna.
  • Sensação de Sobrecarga: o colapso subjetivo perante as tarefas e exigências da maternidade.
  • Risco Autolesivo: o despiste direto de ideias ou intenções de provocar dano a si mesma.

O instrumento foi pensado para rastrear doentes a partir do terceiro trimestre de gravidez e ao longo de todo o ciclo do pós-parto, sendo perfeitamente aplicável independentemente da paridade.

Quando e porquê utilizá-lo

A aplicação da EPDS consolida a compreensão longitudinal do bem-estar da mãe e norteia a orientação clínica com segurança.

  • Rastreio precoce de rotina: introduzida no acompanhamento pré-natal ou nas consultas iniciais de saúde infantil para mapear e despistar precocemente os fatores de risco.
  • Admissão psicoterapêutica: estabelece a gravidade basal do humor depressivo de forma a compreender a depressão perinatal e balizar o arranque da intervenção terapêutica.
  • Monitorização seriada do quadro: permite reavaliações estruturadas que ajudam a documentar e a fazer o balanço da ansiedade ao longo das diversas fases do acompanhamento.
  • Deteção de alerta agudo: força a averiguação ativa da ideação de autoagressão, despistando inequivocamente um risco iminente de crise.

Dispor de uma pontuação aferida acrescenta transparência à impressão clínica puramente subjetiva. Um instrumento estandardizado fornece, deste modo, um terreno firme para avaliar o quadro real e articular programas terapêuticos direcionados à imagem de si e autoestima com total eficácia.

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As perguntas

  1. Dado que teve um bebé há pouco tempo (ou está grávida), gostaríamos de saber como se sente. Por favor, selecione a resposta que melhor corresponde ao modo como se tem sentido durante os últimos 7 dias, e não apenas no momento presente.
    1. Consegui rir e ver o lado bom das coisas.
    Avalia o grau de anedonia através da preservação da capacidade de experienciar alegria ou humor.
    • Com a mesma frequência do habitual
    • Não com tanta frequência
    • Muito menos frequentemente nestes dias
    • De modo algum
  2. 2. Senti-me confiante e alegre ao pensar no futuro.
    Mede a perspetiva perante o futuro e a presença de sentimentos de desesperança.
    • Tanto quanto o habitual
    • Um pouco menos que o habitual
    • Muito menos que o habitual
    • Quase nunca
  3. 3. Culpei-me, sem motivo, quando as coisas corriam mal.
    Identifica a tendência para a auto-responsabilização excessiva e o sentimento infundado de culpa.
    • Sim, na maioria das vezes
    • Sim, às vezes
    • Não com muita frequência
    • Não, de modo algum
  4. 4. Senti-me ansiosa ou preocupada sem motivo.
    Rastreia sintomas de ansiedade basal, focando-se na preocupação imotivada.
    • Não, de modo algum
    • Quase nunca
    • Sim, às vezes
    • Sim, com muita frequência
  5. 5. Senti-me assustada ou em pânico sem um motivo real.
    Explora a presença de episódios de medo intenso ou de reações de pânico não justificadas pelo contexto.
    • Sim, com muita frequência
    • Sim, às vezes
    • Não, não com muita frequência
    • Não, de modo algum
  6. 6. Tive tendência a sentir-me sobrecarregada pelos acontecimentos.
    Aprecia o sentimento de sobrecarga perante as exigências e tarefas quotidianas.
    • Sim, na maioria das vezes, senti-me incapaz de lidar com as situações
    • Sim, às vezes, não me senti tão capaz de lidar com as coisas como o habitual
    • Não, consegui lidar com a maioria das situações
    • Não, senti-me tão capaz como o habitual
  7. 7. Senti-me tão infeliz que tive problemas para dormir.
    Capta a insónia induzida pela infelicidade, distinguindo-a das interrupções de sono típicas motivadas pelos cuidados ao bebé.
    • Sim, na maioria das vezes
    • Sim, às vezes
    • Não com muita frequência
    • Não, de modo algum
  8. 8. Senti-me triste ou infeliz.
    Mede a vivência direta e a intensidade do estado de humor depressivo.
    • Sim, na maioria das vezes
    • Sim, com muita frequência
    • Não com muita frequência
    • Não, de modo algum
  9. 9. Senti-me tão infeliz que cheguei a chorar.
    Avalia as crises de choro associadas ao sofrimento emocional severo.
    • Sim, na maioria das vezes
    • Sim, com muita frequência
    • Apenas de vez em quando
    • Não, nunca
  10. 10. Já me ocorreu pensar em magoar-me.
    Rastreia criticamente a ideação autolesiva ou suicida.
    • Sim, com muita frequência
    • Às vezes
    • Quase nunca
    • Nunca
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