Escala de Avaliação da Mudança da Universidade de Rhode Island (URICA)

A Escala de Avaliação da Mudança da Universidade de Rhode Island (URICA) é um questionário psicométrico que mapeia a prontidão de um paciente para…

Escala de Avaliação da Mudança da Universidade de Rhode Island (URICA)
Perguntas
32
Duração
10 min
Título original
URICA — University of Rhode Island Change Assessment Scale
Adaptação
Escala de Avaliação da Mudança da Universidade de Rhode Island (URICA)
Autores
McConnaughy, E. A., Prochaska, J. O., & Velicer, W. F.
Criação
1983

A Escala de Avaliação da Mudança da Universidade de Rhode Island (URICA) é um questionário psicométrico que mapeia a prontidão de um paciente para transformar padrões enraizados de pensamento e comportamento, ancorando-se no reconhecido Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente. É uma ferramenta fundamental utilizada por clínicos para aferir em que fase exata do processo motivacional o indivíduo se encontra — desde a ausência de intenção consciente até à manutenção ativa de novas respostas.

Em contexto clínico, aplicar a URICA permite ajustar as intervenções e expectativas ao estádio muito particular do paciente. Desta forma, o profissional evita o desgaste de forçar confrontações precoces na fase de resistência, e mitiga o risco de uma precipitação excessiva ao definir e alcançar objetivos práticos quando ainda predomina uma ambivalência estrutural profunda. A escala traduz, em dados transversais, as dimensões cruciais da vontade de intervir sobre a queixa, servindo frequentemente de suporte objetivo ao estruturar eixos de progressão realistas.

O instrumento destaca-se ainda por não apresentar um foco unívoco imposto aos seus itens. O enquadramento central — designado apenas por «aqui» ou «o problema» na formulação clínica — adapta-se perfeitamente ao contexto do sujeito, seja na exploração de dependências, de rigidificações interpessoais ou de outros comportamentos refratários. Faculta, com isso, uma linha de base fidedigna que valida clinicamente as prioridades assumidas nas consultas subsequentes.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

Pontuação global
6.143/ 14
A URICA é um questionário de autorrelato de 32 itens, derivado do modelo transteórico de mudança de Prochaska e DiClemente, que avalia o estádio motivacional de um indivíduo relativamente a um problema (psicológico, aditivo ou comportamental). Avalia quatro subescalas — pré-contemplação, contemplação, ação e manutenção — e fornece uma pontuação composta de prontidão para a mudança (Pontuação de Prontidão = C + A + M − PC). Utilizada em psicoterapia, adictologia e investigação, ajuda a orientar a entrevista motivacional, a identificar a ambivalência, a personalizar as intervenções e a monitorizar o progresso do paciente.
-2–7.99
Pré-contemplação
6.143
8–10.99
Contemplação
11–14
Preparação / Ação
Prontidão ≤ 8: a mudança ainda não está na ordem do dia. Pontos de corte indicativos (“essencialmente arbitrários” de acordo com o laboratório de DiClemente) — interpretar os estádios como um continuum menos preparado / intermédio / mais preparado.
Pontuação
Média das subescalas + pontuação composta de prontidão para a mudança, pontuação total de -2 a 14, cada item é cotado numa escala de 5 pontos (de 1 a 5).
Cálculo da pontuação de prontidão
Contemplação 3+Ação 3.714+Manutenção 2Pré-contemplação 2.571=6.143Pré-contemplação
Pré-contemplação
a mudança não é considerada
Contemplação
ambivalência, a pensar nisso
Preparação
decidido, a organizar-se
Ação
a mudança está em curso
Manutenção
a consolidar — refletido na subescala de Manutenção
Prontidão = Média de Contemplação + Média de Ação + Média de Manutenção − Média de Pré-contemplação (intervalo de −2 a 14). A utilizar ANTES do tratamento para avaliar a prontidão para a mudança; durante ou no final do tratamento, o laboratório de DiClemente recomenda monitorizar, em alternativa, as subescalas de Ação e Manutenção, e não a prontidão.
Ação
3.714/ 5
Passos concretos já encetados para modificar o comportamento.
itens 3, 7, 10, 14, 17, 25, 30
3.714
15
Contemplação
3/ 5
Reconhecimento do problema e consideração de mudança futura.
itens 2, 8, 12, 15, 19, 21, 24
3
15
Manutenção
2/ 5
Esforços para consolidar a mudança alcançada e prevenir recaídas.
itens 6, 16, 18, 22, 27, 28, 32
2
15
Pré-contemplação
2.571/ 5
Ausência de reconhecimento do problema e de intenção de mudança.
itens 1, 5, 11, 13, 23, 26, 29
2.571
15

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Atribuir este teste a um paciente

O que o teste mede

A URICA operacionaliza os constructos do processo motivacional progressivo, medindo com exatidão a sintonia do indivíduo perante atitudes face à sua própria problemática atual. O instrumento capta quatro dimensões principais do compromisso com a transformação:

  • Pré-contemplação: o grau de negação frontal ou alienação face ao problema, revelando a falta de intenção consciente e um marcante distanciamento perante a culpa e responsabilidade pelo estado das coisas.
  • Contemplação: a presença indubitável de ambivalência, momento no qual o paciente deteta os prejuízos do padrão atual e considera a mudança, mas recusa-se ainda a adotar ações reparadoras efetivas.
  • Ação: a imersão num compromisso dinâmico com o desenvolvimento próprio, evidenciada por tentativas persistentes e concretas de alteração prática do seu funcionamento sistémico.
  • Manutenção: o empenho proativo na consolidação do sucesso recém-adquirido, com um foco vigilante e preventivo sobre a recaída aos velhos esquemas cognitivos.

Este teste destina-se primordialmente a adultos e jovens adultos em acompanhamento psicológico que apresentem bloqueios acentuados, comportamentos aditivos, ou a necessidade de alterar comportamentos automáticos através de uma intervenção faseada.

Quando e porquê utilizá-lo

O recurso regular a esta escala é altamente indicado em múltiplos momentos chave do acompanhamento terapêutico, potenciando o enquadramento eficaz dos métodos utilizados. Destacam-se as seguintes justificações para a sua aplicação:

  • Avaliação inicial da prontidão: no contacto precoce, clarifica se a prioridade do plano se deve esgotar na expansão da consciencialização ou se há margem para a calendarização imediata da mudança.
  • Deteção precoce de bloqueios: perante resistências arrastadas ao tratamento, permite confirmar objetivamente se o sujeito reverteu para uma etapa de estagnação ou de perda de motivação profunda.
  • Delineamento de suporte pós-crise: na etapa terminal da fase aguda, dita a premência de fortificar os comportamentos defensivos para estancar retrocessos aos sintomas base.
  • Monitorização da evolução: ao ser replicada ao longo dos meses, desenha uma trajetória tangível e descritiva do aumento do compromisso, servindo de métrica indispensável para delinear com o paciente os objetivos a 6 e 12 meses.

Obter um cálculo global de prontidão retira a formulação da avaliação do plano das conjeturas e da intuição isolada, dotando a análise de um indicador clínico comprovado, independente da desejabilidade social do diálogo de consulta.

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As perguntas

  1. Cada afirmação descreve o que uma pessoa poderia pensar ao iniciar uma terapia ou ao abordar problemas na sua vida. Por favor, indique até que ponto concorda ou discorda com cada afirmação. Em cada caso, faça a sua escolha com base naquilo que sente neste momento, e não naquilo que sentiu no passado ou naquilo que gostaria de sentir. O termo «aqui» refere-se ao local de tratamento ou ao seu problema central.
    1. Na minha opinião, não tenho nenhum problema que precise de mudança.
    Avalia a negação imediata de qualquer aspeto que mereça modificação no sujeito.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  2. 2. Acho que estou pronto(a) para fazer algo para melhorar.
    Identifica a abertura inicial para reconhecer a necessidade de desenvolvimento pessoal.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  3. 3. Estou fazendo algo a respeito dos problemas que me incomodavam.
    Regista a perceção de envolvimento ativo na resolução das dificuldades presentes.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  4. 4. Valeria a pena trabalhar no meu problema.
    Explora a emergência da ponderação sobre a utilidade de investir na mudança pretendida.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  5. 5. Não sou eu quem tem um problema; não faz sentido para mim estar aqui.
    Deteta a resistência assente na projeção do problema e na desvalorização do contexto terapêutico.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  6. 6. Me preocupa saber que o problema que eu tinha resolvido pode voltar, então vim aqui procurar ajuda.
    Acede ao receio consciente de retrocesso num problema previamente abordado com sucesso.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  7. 7. Finalmente estou trabalhando no meu problema.
    Afere o início dos esforços concretos e intencionais orientados para a resolução focada.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  8. 8. Pensei em mudar algo em mim.
    Regista o foco cognitivo no desejo incipiente de operar uma alteração interna significativa.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  9. 9. Consegui trabalhar no meu problema, mas não tenho certeza se consigo me esforçar por conta própria.
    Capta o reconhecimento de que a consolidação dos ganhos requer suporte externo continuado.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  10. 10. Às vezes, meu problema é difícil, mas estou trabalhando nele.
    Reflete a perseverança na ação de mudança perante a complexidade inerente ao problema.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  11. 11. É mais uma perda de tempo para mim estar aqui, pois o problema não tem nada a ver comigo.
    Mede o grau de alienação e de falta de implicação pessoal no processo de tratamento em curso.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  12. 12. Espero que aqui me ajudem a me entender melhor.
    Identifica a expetativa de que o contexto terapêutico promoverá o autoconhecimento essencial à mudança.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  13. 13. Suponho que tenho defeitos, mas não há nada que eu realmente precise mudar.
    Deteta o reconhecimento superficial de imperfeições sem qualquer compromisso para a intervenção efetiva.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  14. 14. Estou me esforçando muito para mudar.
    Avalia a intensidade do esforço percebido na execução intencional de alterações comportamentais.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  15. 15. Tenho um problema e realmente acho que preciso mudar.
    Acede à aceitação clara de uma dificuldade aliada à intenção firme de atuar sobre a mesma na terapia.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  16. 16. Não perseverei tão bem quanto esperava nas mudanças que fiz, por isso estou aqui para evitar que meu problema volte.
    Explora a vulnerabilidade na estabilização dos ganhos e a motivação preventiva perante a possibilidade de retrocesso.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  17. 17. Mesmo que nem sempre eu consiga mudar com sucesso, pelo menos estou trabalhando no meu problema.
    Identifica o compromisso persistente com a modificação, mesmo quando os resultados observados oscilam de forma visível.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  18. 18. Eu pensava que, uma vez resolvido meu problema, estaria livre dele, mas às vezes ainda me deparo com o mesmo problema.
    Afere a consciencialização da cronicidade ou recorrência do padrão disfuncional após um período de melhoria.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  19. 19. Gostaria de ter mais ideias sobre como resolver meu problema.
    Regista a recetividade na exploração de novas alternativas e estratégias resolutivas dirigidas à dificuldade apresentada.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  20. 20. Comecei a trabalhar nos meus problemas, mas gostaria de ajuda.
    Mede o reconhecimento honesto do limite da capacidade individual na sustentação da mudança que já foi iniciada.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  21. 21. Talvez aqui possam me ajudar.
    Deteta a abertura à esperança de que a envolvente formal de tratamento seja um recurso prático facilitador.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  22. 22. Eu precisaria de uma ajuda agora para me ajudar a manter as mudanças que já fiz.
    Capta a perceção de necessidade imediata de apoio profissional para cimentar as alterações comportamentais já alcançadas.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  23. 23. Talvez eu tenha uma parcela de responsabilidade no problema, mas eu realmente não acho.
    Avalia a atribuição seletiva de causalidade externa e o distanciamento passivo da própria quota de responsabilidade.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  24. 24. Espero que alguém aqui possa me dar bons conselhos.
    Identifica a procura ativa de orientações e perspetivas externas como forma de ultrapassar a ambivalência instalada.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  25. 25. Qualquer um pode falar sobre mudar; eu estou realmente fazendo algo a respeito.
    Distingue o envolvimento real e produtivo da mera idealização discursiva expressa em torno do conceito de mudança.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  26. 26. Essas discussões sobre psicologia são chatas. Por que as pessoas não podem simplesmente esquecer seus problemas?
    Mede a rejeição explícita da reflexão psicológica e a preferência pelo evitamento cognitivo das dificuldades pessoais.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  27. 27. Estou aqui para evitar que meu problema volte.
    Acede à motivação primária orientada estrategicamente para a sustentação e prevenção da reinstalação do quadro problemático.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  28. 28. É frustrante, tenho a impressão de que meu problema pode voltar, mesmo que eu achasse que o tinha resolvido.
    Regista a reação emocional suscitada pelo risco persistente de reaparecimento de um problema que se julgava definitivamente concluído.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  29. 29. Tenho preocupações como todo mundo. Por que perder tempo pensando nelas?
    Avalia a minimização comparativa das queixas e preocupações como uma narrativa que serve de justificação para o imobilismo persistente.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  30. 30. Estou trabalhando ativamente no meu problema.
    Afere a autoeficácia e o dinamismo percebidos na aplicação constante de abordagens e de estratégias de resolução clínica.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  31. 31. Eu preferiria aceitar meus defeitos a tentar mudá-los.
    Capta a prevalência do acomodamento resignado face ao elevado custo cognitivo envolvido no compromisso com um processo de alteração.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
  32. 32. Depois de tudo o que fiz para tentar mudar, meu problema volta para me assombrar.
    Reflete o desgaste e a experiência de frustração profunda perante o caráter obsessivo ou reincidente da sintomatologia visada.
    • Discordo totalmente
    • Discordo moderadamente
    • Neutro ou indeciso
    • Concordo moderadamente
    • Concordo totalmente
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