Almost Perfect Scale-Revised (APS-R)

O perfeccionismo é um traço multidimensional que pode atuar tanto como um motor de excelência quanto como um fator de vulnerabilidade clínica.

Almost Perfect Scale-Revised (APS-R)
Perguntas
23
Duração
10 min
Título original
APS-R — Almost Perfect Scale
Adaptação
Almost Perfect Scale-Revised (APS-R)
Autores
Slaney, R. B., Rice, K. G., Mobley, M., Trippi, J., & Ashby, J. S.
Criação
2001

O perfeccionismo é um traço multidimensional que pode atuar tanto como um motor de excelência quanto como um fator de vulnerabilidade clínica. A Almost Perfect Scale-Revised (APS-R), desenvolvida por Slaney e colaboradores, tornou-se uma das medidas mais robustas para diferenciar o perfeccionismo adaptativo do perfeccionismo clínico ou inadaptativo na prática terapêutica.

Através das suas subescalas, este instrumento avalia não só a elevação dos padrões pessoais, mas fundamentalmente a experiência de discrepância, ou seja, a sensação persistente e dolorosa de que o próprio desempenho nunca atinge o patamar exigido. É precisamente esta discrepância que se correlaciona de forma consistente com a sintomatologia depressiva, ansiosa, ciclos de ruminação e quadros de esgotamento.

A utilização regular da APS-R permite ao clínico monitorizar o impacto do diálogo interior negativo e guiar a intervenção, ajudando os pacientes a manterem critérios de qualidade sem comprometer a sua saúde mental ou o seu sentimento de eficácia pessoal.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

O APS-R é um questionário de autorrelato de 23 itens que avalia três dimensões do perfeccionismo: Padrões Elevados, preferência por Ordem e Discrepância, a qual se refere à lacuna percebida entre os padrões que os indivíduos estabelecem para si mesmos e o seu desempenho real. A combinação das pontuações de Padrões e Discrepância permite distinguir entre perfeccionismo adaptativo (altos padrões + baixa discrepância), perfeccionismo desadaptativo (altos padrões + alta discrepância) e não perfeccionistas. É utilizado com adultos e adolescentes em contextos clínicos e de investigação para esclarecer as associações entre perfeccionismo, ansiedade, depressão, autoestima e funcionamento acadêmico/ocupacional.
Discrepância (Discrepância)
47/ 84
A discrepância é definida como a diferença percebida entre os padrões que o indivíduo estabelece para si mesmo e o seu desempenho real.
itens 3, 6, 9, 11, 13, 15, 16, 17, 19, 20, 21, 23
47
1284
Ordem (Ordem)
16/ 28
A ordem representa a preferência por organização e arrumação, constituindo um aspecto positivo secundário do perfeccionismo.
itens 2, 4, 7, 10
16
428
Padrões pessoais elevados (Padrões Elevados)
24/ 49
Padrões elevados capturam os aspectos positivos essenciais e definidores do perfeccionismo, representando o esforço positivo e as expectativas que o indivíduo estabelece para si mesmo.
itens 1, 5, 8, 12, 14, 18, 22
24
749

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O que o teste mede

A APS-R desagrega o perfeccionismo através de 23 itens organizados em três dimensões clínicas centrais, permitindo distinguir a componente funcional da patológica:

Dimensão ClínicaSignificado e Relevância
Padrões ElevadosAvalia a tendência natural para estabelecer objetivos ambiciosos e procurar a excelência, frequentemente associada a brio e competência funcional.
OrdemIdentifica a preferência pela organização, sistematização, arrumação e planeamento no ambiente e quotidiano do paciente.
DiscrepânciaMede a perceção angustiante de uma falha constante entre aquilo que se exige e o que se consegue realizar, sendo a dimensão patogénica central.

Este instrumento é particularmente útil na avaliação de pacientes adultos que apresentam queixas de exaustão, ansiedade de desempenho, medo do fracasso ou rigidez cognitiva, facilitando a exploração de crenças nucleares ligadas à insuficiência e ao valor pessoal.

Quando e porquê utilizá-lo

A APS-R é um recurso precioso no início do acompanhamento e ao longo da intervenção em quadros de exigência crónica. A sua estrutura multidimensional responde a indicações clínicas concretas:

  • Avaliação na admissão: ajuda a identificar precocemente se o perfeccionismo do paciente atua como organizador adaptativo ou como foco de sofrimento patológico.
  • Diferenciação clínica: clarifica a distinção entre a capacidade de superação intrínseca e a severa intolerância à incerteza acompanhada de bloqueio ansioso.
  • Monitorização da evolução: rastreia objetivamente a flexibilidade cognitiva enquanto o paciente aprende a transformar exigências absolutas em preferências.
  • Foco no autojulgamento: evidencia imediatamente os scores de Discrepância, orientando o trabalho clínico para a redução de um autojulgamento global impiedoso.

Uma medida estandardizada como a APS-R clarifica o peso exato de cada faceta para além da narrativa generalista do paciente, ancorando o processo de reestruturação cognitiva em dados explícitos e repetíveis sobre a autocobrança e os seus custos reais.

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As perguntas

  1. Responda a cada uma das afirmações utilizando a escala abaixo para indicar o seu grau de concordância. Escolha a resposta que melhor o(a) descreve.
    1. Tenho exigências elevadas quanto ao meu desempenho no trabalho ou na escola.
    Avalia a presença de metas ambiciosas nos principais domínios de realização do paciente.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  2. 2. Sou uma pessoa organizada.
    Explora a identificação pessoal com a organização diária.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  3. 3. Sinto-me frequentemente frustrado(a) por não conseguir atingir meus objetivos.
    Identifica o impacto emocional negativo decorrente da perceção de metas inalcançadas.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  4. 4. Ordem e limpeza são importantes para mim.
    Capta o valor intrínseco atribuído a um ambiente físico estruturado.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  5. 5. Se não esperamos muito de nós mesmos, nunca teremos sucesso.
    Avalia a crença condicional de que a autocobrança é o único caminho possível para o sucesso.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  6. 6. Meu melhor nunca parece bom o suficiente.
    Põe em evidência a desvalorização sistemática do esforço pessoal perante o resultado final.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  7. 7. Acho que cada coisa deveria estar em seu lugar.
    Afere a rigidez ou a necessidade de categorização e planeamento no espaço envolvente.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  8. 8. Tenho altas expectativas em relação a mim mesmo(a).
    Mede a autoexigência global e a orientação para um desempenho excecional.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  9. 9. Raramente consigo estar à altura de minhas exigências elevadas.
    Avalia a sensação crónica de défice face aos próprios parâmetros estabelecidos.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  10. 10. Gosto de ser sempre organizado(a) e disciplinado(a).
    Examina a afinidade intrínseca do paciente com o método e a estrutura temporal.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  11. 11. Fazer o meu melhor nunca parece ser o suficiente.
    Explora o sentimento de ineficácia pessoal vivenciado independentemente do empenho máximo.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  12. 12. Eu estabeleço padrões muito elevados para mim mesmo(a).
    Verifica o estabelecimento ativo e deliberado de critérios de excelência rigorosos para o próprio comportamento.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  13. 13. Nunca estou satisfeito(a) com minhas realizações.
    Capta a anedonia de realização em que o sucesso alcançado não gera apaziguamento.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  14. 14. Espero o melhor de mim mesmo(a).
    Traduz a antecipação de uma performance ideal ou impecável por parte do paciente em tarefas futuras.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
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    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  15. 15. Frequentemente me preocupo em não corresponder às minhas próprias expectativas.
    Avalia a componente ansiosa e antecipatória associada à possibilidade de falhar perante o crivo interno.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
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    • Neutro
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    • Concordo
    • Concordo totalmente
  16. 16. Meu desempenho raramente está à altura de minhas exigências.
    Mede a constatação factual e repetida da insuficiência de capacidade face à métrica interna.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
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    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
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  17. 17. Não fico satisfeito(a) mesmo quando sei que fiz o meu melhor.
    Identifica a desconexão profunda entre a consciência do esforço despendido e o merecimento de gratificação.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
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    • Neutro
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  18. 18. Tento dar o meu melhor em tudo que faço.
    Verifica a generalização do esforço exaustivo e da diligência máxima a múltiplos domínios da vida.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
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    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  19. 19. Raramente consigo atingir meus próprios padrões elevados de desempenho.
    Capta o desgaste derivado do contraste contínuo e exaustivo entre o ideal imaginado e o executado.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  20. 20. Quase nunca estou satisfeito(a) com meu desempenho.
    Avalia o estado de insatisfação global e crónica perante o output funcional diário.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  21. 21. Raramente sinto que o que fiz foi bom o suficiente.
    Mede o défice significativo de autoaceitação e de validação positiva face ao produto final de uma ação.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
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    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  22. 22. Tenho uma forte necessidade de buscar a excelência.
    Explora a força motivacional interna dirigida à superação incondicional das expectativas comuns.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
    • Tendo a discordar
    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
  23. 23. Muitas vezes sinto decepção depois de terminar uma tarefa, pois sei que poderia ter feito melhor.
    Avalia a reatividade emocional pós-tarefa dominada frequentemente pelo arrependimento ou pela revisão crítica dolorosa.
    • Discordo totalmente
    • Discordo
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    • Neutro
    • Tendo a concordar
    • Concordo
    • Concordo totalmente
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