A Escala de Autocompaixão (SCS) é a medida de autorrelato mais estudada para avaliar a forma como os indivíduos se tratam perante o sofrimento pessoal.
Perguntas
26
Duração
10 min
Título original
SCS — Self-Compassion Scale
Adaptação
Escala de Autocompaixão
Autores
Neff, K. D.
Criação
2003
A Escala de Autocompaixão (SCS) é a medida de autorrelato mais estudada para avaliar a forma como os indivíduos se tratam perante o sofrimento pessoal. No contexto clínico, compreender se o paciente reage com hostilidade ou compreensão face à própria dor é crucial, pois o déficit de autocompaixão sustenta frequentemente quadros prolongados de depressão, ansiedade e evitação. Trabalhar ativamente com uma postura compassiva consigo próprios permite suavizar o viés punitivo no decurso da terapia.
Este instrumento decompõe a resposta à adversidade em componentes operacionais, diferenciando a empatia interna do isolamento crónico e do julgamento severo. A sua monitorização oferece dados essenciais para ajudar os pacientes a transformar julgamentos rígidos sobre si mesmos e a tolerar os picos de dor emocional.
Validada para uma aplicação transversal, a escala fornece aos profissionais de saúde mental uma base empírica estruturada. O rastreio dimensional destas facetas permite otimizar intervenções terapêuticas focadas na aceitação e na mudança, cultivando uma relação intrapessoal mais protetora a longo prazo.
Exemplo de resultado
Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.
Pontuação global
3.267/ 5
Um questionário de autorrelato de 26 itens que avalia a autocompaixão conforme definida por Kristin Neff: a capacidade de tratar a si mesmo com gentileza em momentos de sofrimento, fracasso ou inadequação. A escala mede seis dimensões organizadas em três pares bipolares: autobondade vs. autojulgamento, humanidade compartilhada vs. isolamento e atenção plena vs. sobreidentificação. Adaptada para o francês por Kotsou e Leys (2016), é útil para avaliação clínica, pesquisa, monitoramento de programas de MBSR / MSC (Mindful Self-Compassion) e identificação de padrões autocríticos. População adulta.
1–2.4
Baixa autocompaixão
2.41–3.59
Autocompaixão moderada
3.267
3.6–5
Alta autocompaixão
Intervalo de aproximadamente um desvio-padrão em torno da média observada (≈3.0; DP ≈0.60).
Pontuação
Média por subescala, depois média das 6 subescalas (após a inversão dos itens negativos), pontuação total de 1 a 5; cada item é pontuado em uma escala de 5 pontos (de 1 a 5).
Atenção Plena
3/ 5
Capacidade de acolher pensamentos e emoções dolorosas com equilíbrio, sem amplificá-los ou evitá-los.
itens9, 14, 17, 22
généralemisto · estudantes · Estados Unidos · n = 391 · 2003 · Neff et al. (2003)
15
3
M = 3.39 ± 0.76
généralemisto · estudantes · Espanha · n = 268 · 2014 · García-Campayo et al. (2014)
15
3
M = 3.18 ± 0.74
Humanidade Compartilhada
3.75/ 5
Reconhecimento de que o fracasso e o sofrimento fazem parte da experiência humana compartilhada.
itens3, 7, 10, 15
généralemisto · estudantes · Estados Unidos · n = 391 · 2003 · Neff et al. (2003)
15
3.75
M = 2.99 ± 0.79
généralemisto · estudantes · Espanha · n = 268 · 2014 · García-Campayo et al. (2014)
15
3.75
M = 2.91 ± 0.65
Sobreidentificação
3/ 5
Sobreidentificação: tendência a ser absorvido e levado por pensamentos e emoções dolorosas. Em nossa pontuação, os itens desta subescala são invertidos: uma pontuação alta indica BAIXA sobreidentificação.
itens2, 6, 20, 24
3
15
Autojulgamento
4.6/ 5
Tendência a criticar-se severamente e a ser intolerante com as próprias falhas. Em nossa pontuação, os itens desta subescala são invertidos: uma pontuação alta indica BAIXO autojulgamento.
itens1, 8, 11, 16, 21
généralemisto · estudantes · Estados Unidos · n = 391 · 2003 · Neff et al. (2003)
15
4.6
M = 2.86 ± 0.79
Autobondade
3/ 5
Tendência a ser gentil, caloroso e compreensivo consigo mesmo em momentos difíceis.
itens5, 12, 19, 23, 26
généralemisto · estudantes · Estados Unidos · n = 391 · 2003 · Neff et al. (2003)
15
3
M = 3.05 ± 0.75
généralemisto · estudantes · Espanha · n = 268 · 2014 · García-Campayo et al. (2014)
15
3
M = 3.14 ± 0.68
Isolamento
2.25/ 5
Sensação de estar sozinho e isolado dos outros diante das próprias dificuldades. Em nossa pontuação, os itens desta subescala são invertidos: uma pontuação alta indica BAIXO isolamento percebido.
itens4, 13, 18, 25
généralemisto · estudantes · Estados Unidos · n = 391 · 2003 · Neff et al. (2003)
15
2.25
M = 2.99 ± 0.92
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A escala avalia a capacidade de tolerar o sofrimento com uma atitude afetuosa e de aceitação, em contraste com a reatividade destrutiva. O instrumento estrutura-se em torno de três eixos essenciais para a flexibilidade psicológica:
Autobondade vs. Autojulgamento: a inclinação para se apoiar ativamente em momentos difíceis, em oposição à autocrítica e ao viés negativo.
Humanidade Comum vs. Isolamento: a perceção da falha humana como uma experiência universal partilhada, prevenindo o sentido de vergonha e inadequação isolada.
Mindfulness vs. Sobreidentificação: a capacidade de manter uma presença recetiva face à angústia, sem evitar a dor nem ser totalmente absorvido por ela.
A medida destina-se primariamente a adultos e jovens cuja regulação emocional requer escrutínio e apoio sistemático em sessões terapêuticas.
Quando e porquê utilizá-lo
A utilização da SCS está indicada em diversas fases do processo clínico para clarificar bloqueios internos, servindo de base para ultrapassar obstáculos e acolher emoções de forma sustentada:
Avaliação inicial (baseline): identificar se a punição interna atua como um fator latente de manutenção do humor depressivo ou da paralisia ansiosa.
Monitorização da evolução terapêutica: documentar a transição estrutural de um funcionamento autopunitivo para um padrão de vinculação interna mais seguro e benevolente.
Prevenção de recaídas clínicas: aferir se o acolhimento da dor se converteu num recurso estável quando o paciente enfrenta perdas, fracassos ou eventos traumáticos imprevistos.
Uma medição psicométrica validada capta variações que a entrevista clínica isolada pode deixar submersas, permitindo traduzir a relação que o paciente tem com o julgamento num indicador claro e partilhável.
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Leia atentamente cada afirmação antes de responder. Para cada item, indique com que frequência se comporta da forma descrita, utilizando a escala de 1 (Quase nunca) a 5 (Quase sempre).
1. Eu desaprovo e julgo os meus próprios defeitos e insuficiências.
Examina a tendência imediata do paciente para a reprovação interna perante as suas limitações.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
2. Quando me sinto mal, tenho tendência a ficar obcecado(a) e a focar-me em tudo o que está errado.
Avalia a permeabilidade rumiativa a estímulos negativos associados a si próprio.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
3. Quando as coisas correm mal para mim, vejo essas dificuldades como parte da vida pela qual todos passam.
Mede a perceção da adversidade como uma experiência intrinsecamente partilhada com os outros.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
4. Quando penso nas minhas insuficiências, sinto-me diferente e desligado(a) do resto do mundo.
Afere o impacto do autocriticismo no enfraquecimento do sentido de vinculação social.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
5. Tento ser amoroso(a) comigo mesmo(a) quando estou a sofrer.
Explora a intencionalidade de cultivar uma atitude protetora perante o próprio mal-estar.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
6. Quando falho em algo importante para mim, sou invadido(a) por um sentimento de não estar à altura.
Examina a inundação emocional desencadeada pela experiência concreta do fracasso.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
7. Quando me sinto deprimido(a), lembro-me de que há muitas outras pessoas no mundo que sentem o mesmo.
Quantifica o recurso à perspetiva interpessoal normativa em momentos de forte crise interior.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
8. Quando as coisas correm mesmo mal, tenho tendência a ser duro(a) comigo mesmo(a).
Identifica o endurecimento paradoxal da postura interna quando as condições externas se tornam difíceis.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
9. Quando algo me aborrece, tento manter as minhas emoções em equilíbrio.
Foca a iniciativa de autorregulação deliberada perante eventos geradores de tensão.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
10. Quando não me sinto à altura de alguma forma, tento lembrar-me de que esse sentimento é partilhado pela maioria das pessoas.
Mede a neutralização do sentimento de ineficácia através da desdramatização e enquadramento normativo.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
11. Sou intolerante e impaciente com os aspetos da minha personalidade de que não gosto.
Avalia a intolerância latente para com as características pessoais mais vulneráveis ou indesejadas.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
12. Quando passo por um período muito difícil, dou a mim mesmo(a) o cuidado e a ternura de que preciso.
Afere a capacidade pragmática de agir como uma fonte segura de conforto para si próprio.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
13. Quando me sinto mal, tenho tendência a sentir que as outras pessoas são mais felizes do que eu.
Examina o viés de comparação social descendente instigado nos momentos de dor ou tristeza.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
14. Quando acontece algo doloroso, tento ter uma visão equilibrada da situação.
Reflete a propensão para o distanciamento analítico e aceitação num contexto francamente doloroso.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
15. Tento ver os meus defeitos como parte da condição humana.
Aborda a naturalização clínica da falibilidade estrutural como pertencendo à identidade.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
16. Quando vejo aspetos de mim que não gosto, critico-me.
Centra-se na reatividade punitiva imediata face aos próprios comportamentos ou aspetos indesejados.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
17. Quando falho em algo importante para mim, tento manter as coisas em perspetiva.
Determina a capacidade de enquadramento holístico (defusão) logo após uma frustração importante.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
18. Quando é muito difícil para mim, tenho tendência a pensar que a vida é mais fácil para os outros.
Explora o mecanismo vitimizante e a sensação de injustiça comparativa na gestão da adversidade.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
19. Sou bondoso(a) comigo mesmo(a) quando estou a sofrer.
Regista a mobilização espontânea de ternura intrapessoal em contexto de acentuada vulnerabilidade.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
20. Quando algo me perturba, deixo-me levar pelos meus sentimentos.
Avalia a reatividade impulsiva à perturbação e a insuficiência do travão cognitivo na emoção.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
21. Sou duro(a) comigo mesmo(a) quando sinto sofrimento.
Verifica a instalação de um isolamento hostil e o distanciamento frio para consigo próprio.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
22. Quando estou deprimido(a), procuro abordar os meus sentimentos com curiosidade e abertura.
Capta a transição da esquiva experiencial primária para uma postura segura de curiosidade e exploração.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
23. Sou tolerante com os meus próprios defeitos e insuficiências.
Sintetiza a aceitação global da limitação psicológica sem recorrer a lógicas de inferioridade estrutural.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
24. Quando acontece algo doloroso, tenho tendência a dar uma importância desproporcional ao incidente.
Regista a amplificação cognitiva e dramática que vulgarmente sucede e exacerba episódios de dano.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
25. Quando falho em algo importante para mim, tenho tendência a sentir-me sozinho(a) no meu fracasso.
Observa o desenraizamento afetivo e a reclusão silenciosa instigados pela constatação do erro.
Quase nunca
Raramente
Às vezes
Frequentemente
Quase sempre
26. Tento ser compreensivo(a) e paciente com os aspetos da minha personalidade de que não gosto.
Resume o esforço construtivo e deliberado de reconciliação voluntária com o aspeto menos luminoso da personalidade.