Questionário de Alexitimia para Crianças (AQC)

O Questionário de Alexitimia para Crianças (AQC) é uma adaptação clínica do amplamente estabelecido TAS-20, concebida para mapear o processamento emocional…

Questionário de Alexitimia para Crianças (AQC)
Perguntas
20
Duração
10 min
Título original
Alexithymia Questionnaire for Children (Questionnaire d'Alexithymie pour Enfants – QAE)
Adaptação
Questionário de Alexitimia para Crianças (AQC)
Autores
Rieffe, C., Oosterveld, P., & Meerum Terwogt, M.
Criação
2006

O Questionário de Alexitimia para Crianças (AQC) é uma adaptação clínica do amplamente estabelecido TAS-20, concebida para mapear o processamento emocional em crianças e adolescentes. O constructo de alexitimia descreve uma fraca consciência emocional, caracterizada por défices na diferenciação dos afetos e na sua articulação verbal, bem como por uma tendência para experienciar a emoção como mero desconforto somático bruto.

A utilidade deste instrumento reside na sua capacidade de deconstruir a cegueira emocional em eixos clinicamente úteis. Em vez de diagnosticar, o AQC fornece um mapa da organização afetiva do paciente. A sua aplicação ajuda o clínico a compreender por que razão certas crianças exteriorizam o mal-estar de forma puramente comportamental, somatizam a angústia ou demonstram resistência inicial à exploração e partilha dos fundamentos da saúde mental.

Como medida validada e estruturada, o AQC permite monitorizar o desenvolvimento da literacia emocional ao longo de todo o processo terapêutico. Integrado na avaliação, orienta o planeamento da psicoeducação, ajudando a ajustar a linguagem do clínico ao grau de elaboração interna do paciente, para apoiar progressivamente a gestão das emoções e a sua expressão construtiva nas relações interpessoais.

Exemplo de resultado

Resultado fictício, calculado a partir de um conjunto de respostas de exemplo.

Pontuação global
19/ 40
O QAE (versão francesa do Alexithymia Questionnaire for Children de Rieffe, Oosterveld & Meerum Terwogt, 2006) é um questionário de autorrelato de 20 itens concebido para avaliar a alexitimia em crianças e pré-adolescentes (a partir de aproximadamente 8 anos de idade). Adaptado da TAS-20 mediante a reformulação dos itens numa linguagem compreensível para crianças, avalia três dimensões: dificuldade em identificar sentimentos (DIF), dificuldade em descrever sentimentos (DDF) e pensamento orientado para o exterior (EOT). É utilizado em psicologia do desenvolvimento, psiquiatria da infância e da adolescência e em investigações sobre as relações entre alexitimia, queixas somáticas e sintomas internalizantes.
généralesexo masculino · amostra comunitária · 9–16 anos · França · n = 43 · 2010 · Loas et al. (2010)
040
19
M = 17.32 ± 5.37
généralesexo feminino · amostra comunitária · 9–16 anos · França · n = 37 · 2010 · Loas et al. (2010)
040
19
M = 16.81 ± 5.68
cliniquemisto · população clínica · 12–18 anos · Bélgica · n = 105 · 2018 · Delhaye et al. (2018)
040
19
M = 20.84 ± 6.11
Pontuação
Soma (pontuação total + pontuações das subescalas), pontuação total de 0 a 40, cada item é avaliado numa escala de 3 pontos (de 0 a 2).
Dificuldade em descrever sentimentos
5/ 10
Dificuldade em Descrever Sentimentos (Dificuldade em descrever os próprios sentimentos). Composta por 5 itens (0-10).
itens 2, 4, 11, 12, 17
généralesexo masculino · estudantes · Países Baixos · n = 207 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
010
5
M = 4.15 ± 2.5
généralesexo feminino · estudantes · Países Baixos · n = 193 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
010
5
M = 4.65 ± 2.55
généralesexo masculino · estudantes · Países Baixos · n = 173 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
010
5
M = 3.25 ± 2.5
généralesexo feminino · estudantes · Países Baixos · n = 167 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
010
5
M = 3.15 ± 2.75
Dificuldade em identificar sentimentos
7/ 14
Dificuldade em Identificar Sentimentos (Dificuldade em identificar os próprios sentimentos). Composta por 7 itens (0-14).
itens 1, 6, 7, 9, 13, 14, 3
généralesexo masculino · estudantes · Países Baixos · n = 207 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
014
7
M = 4.13 ± 2.87
généralesexo feminino · estudantes · Países Baixos · n = 193 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
014
7
M = 5.39 ± 3.22
généralesexo masculino · estudantes · Países Baixos · n = 173 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
014
7
M = 3.08 ± 2.66
généralesexo feminino · estudantes · Países Baixos · n = 167 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
014
7
M = 3.15 ± 2.8
Pensamento orientado para o exterior
7/ 16
Pensamento Orientado para o Exterior (Pensamento externamente orientado). Composta por 8 itens (0-16).
itens 5, 8, 10, 15, 16, 18, 19, 20
généralesexo masculino · estudantes · Países Baixos · n = 207 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
016
7
M = 7.28 ± 2.16
généralesexo feminino · estudantes · Países Baixos · n = 193 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
016
7
M = 7.28 ± 2.08
généralesexo masculino · estudantes · Países Baixos · n = 173 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
016
7
M = 6.8 ± 2.56
généralesexo feminino · estudantes · Países Baixos · n = 167 · 2006 · Rieffe et al. (2006)
016
7
M = 5.6 ± 2.48

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O que o teste mede

O AQC avalia o nível de alexitimia e a organização da consciência emocional da criança através da deconstrução sistemática do conceito nos seus três fatores fundamentais.

  • Dificuldade em Identificar Sentimentos: A incapacidade de distinguir entre diferentes afetos e de diferenciar um estado emocional de uma mera ativação somática inespecífica.
  • Dificuldade em Descrever Sentimentos: O défice na linguagem e na capacidade de articulação verbal necessária para comunicar a própria experiência interna aos cuidadores e aos pares.
  • Pensamento Orientado Externamente: A tendência para focar a atenção em detalhes factuais e ações externas, evitando a introspeção sobre a vivência subjetiva que frequentemente origina as emoções não saudáveis.

Este instrumento destina-se a crianças e adolescentes, sendo particularmente útil e informativo na clínica infantojuvenil em casos de somatização, ansiedade, perturbações depressivas e défices globais e difusos de regulação afetiva.

Quando e porquê utilizá-lo

A aplicação do AQC é recomendada em contextos práticos onde a fraca elaboração emocional constitui um bloqueio evidente à intervenção ou serve de motor direto para sintomas físicos e comportamentais inespecíficos.

  • Avaliação do estilo cognitivo-emocional: Para balizar a capacidade intrínseca do jovem de observar o seu próprio mundo interno, permitindo aferir a viabilidade de técnicas precoces assentes nos pensamentos automáticos.
  • Quadros de somatização intensos: Para compreender se dores abdominais ou cefaleias recorrentes refletem, no fundo, uma fraca integração somato-emocional, orientando a utilidade clínica de introduzir o scan corporal regular em sessão.
  • Monitorização da evolução da literacia: Para avaliar metodicamente a progressão da criança na aprendizagem de um novo vocabulário emocional e na redução do seu distanciamento defensivo face aos afetos.
  • Resistência inespecífica ao processo terapêutico: Para enquadrar as dificuldades interpessoais repetidas e a falta de insight não como uma atitude de oposição, mas como um défice estrutural no simples reconhecimento das emoções.

Uma pontuação validada e segmentada permite objetivar facetas cruciais do funcionamento psíquico que habitualmente escapam a uma entrevista puramente verbal, onde o adolescente com traços alexitímicos é, pela própria natureza da sua dificuldade, cronicamente pouco informativo sobre as suas reais necessidades de suporte.

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As perguntas

  1. Dá a tua opinião sobre cada frase escolhendo a opção que corresponde ao que pensas dessa frase: «Não é verdade», «Um pouco verdade» ou «Totalmente verdade».
    1. Muitas vezes, não sei muito bem o que sinto por dentro.
    Avalia a dificuldade geral em identificar e nomear o próprio estado emocional básico.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  2. 2. Acho difícil dizer o que sinto por dentro.
    Explora a barreira concreta na comunicação verbal dos estados e vivências internas.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  3. 3. Sinto coisas no meu corpo que nem os médicos percebem.
    Examina a tendência para experienciar a emoção não processada sob a forma de sintomas somáticos sem explicação médica.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  4. 4. Consigo dizer facilmente o que sinto por dentro.
    Mede a facilidade auto-percecionada na verbalização afetiva e partilha emocional livre.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  5. 5. Quando tenho um problema, quero saber de onde ele vem e não só falar sobre ele.
    Avalia a inclinação para focar nos aspetos práticos dos problemas em vez da elaboração do afeto subjacente.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  6. 6. Quando estou abalado(a), não sei se estou triste, com medo ou zangado(a).
    Foca-se diretamente na confusão estrutural e fraca diferenciação entre emoções básicas de forte valência negativa.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  7. 7. Fico muitas vezes intrigado(a) com coisas que sinto no meu corpo.
    Analisa o sentido de estranheza e perplexidade face às próprias reações sensoriais corporais.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  8. 8. Prefiro esperar para ver o que acontece, em vez de pensar porque é que as coisas acontecem.
    Mede a preferência evidente por uma atitude reativa e puramente factual em detrimento da introspeção e procura de sentido.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  9. 9. Às vezes, não consigo achar as palavras para dizer o que sinto por dentro.
    Explora o défice léxico específico no vocabulário emocional da criança e o consequente bloqueio articulatório.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  10. 10. É importante perceber o que a gente sente por dentro.
    Avalia a valorização consciente da inteligência intrapsíquica e o nível de insight afetivo desejado.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  11. 11. Acho difícil dizer o que sinto pelas outras pessoas.
    Foca-se abertamente na dificuldade particular de expressar emoções quando integradas na vinculação e no campo relacional.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  12. 12. As outras pessoas dizem-me que eu devia falar mais do que sinto por dentro.
    Examina a sensibilidade ao feedback social dos cuidadores sobre a opacidade e distanciamento interpessoal do paciente.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  13. 13. Não sei o que se passa dentro de mim.
    Avalia de forma direta a sensação subjetiva de cegueira e total alienação face à dinâmica do mundo psíquico interno.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  14. 14. Muitas vezes, não sei porque estou zangado(a).
    Mede a fraca capacidade de ligar, de modo contingente, um estado interno de ativação aguda à sua ocorrência desencadeadora.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  15. 15. Prefiro falar com as pessoas sobre as coisas que fazem no dia a dia do que sobre os seus sentimentos.
    Analisa ativamente o evitamento de tópicos psicológicos, preferindo ancorar o discurso e a interação em detalhes triviais.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  16. 16. Prefiro ver programas de TV divertidos em vez de filmes sobre os problemas das pessoas.
    Explora a aversão declarada a qualquer estímulo de cariz narrativo, ficcional ou mediático que represente carga relacional ou emocional.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  17. 17. É difícil para mim dizer o que realmente sinto, mesmo ao meu/minha melhor amigo(a).
    Foca-se especificamente no bloqueio e retenção à intimidade emocional, mesmo perante figuras de vinculação seguras.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  18. 18. Consigo sentir-me perto de alguém, mesmo que a gente esteja só sentado, sem se mexer e sem dizer nada.
    Mede a maturidade empática e a real capacidade de sustentar um sentimento de ligação e proximidade dispensando a verbalização utilitária.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  19. 19. Quando quero resolver os meus problemas, pensar no que sinto ajuda-me.
    Avalia o recurso adaptativo ao processamento de estados de afeto como via instrumental legítima para resolver dilemas complexos.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
  20. 20. Gosto menos de um filme se tiver de me focar para perceber a história.
    Examina a clássica inibição e relutância alexitímica em investir esforço cognitivo-inferencial na tradução de estados mentais secundários.
    • Não é verdade
    • É um pouco verdade
    • É totalmente verdade
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