A Escala de Avaliação de TDAH de Vanderbilt para Pais (VADPRS) é um questionário validado e extensamente utilizado na prática pediátrica e psiquiátrica para recolher informações cruciais sobre o comportamento infantil. Ao focar-se no ambiente natural da criança e nas observações diretas da família, o clínico consegue aceder a dados comportamentais que muitas vezes escapam durante o tempo limitado de uma sessão, ajudando, por exemplo, a contextualizar o choro e queixas em crianças num raciocínio diagnóstico mais rigoroso.
Composta por 55 itens, a VADPRS vai muito além de um simples mapeamento dos critérios nucleares do Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Integra uma extensa avaliação de perfis frequentemente comórbidos, detetando sinais de oposição, distúrbios de conduta e sintomas internalizados que podem motivar abordagens paralelas para combater a ansiedade. O seu módulo suplementar de retentimento funcional permite avaliar de que modo as manifestações patológicas afetam o rendimento escolar e a harmonia no seio familiar.
A VADPRS quantifica a frequência de ocorrência de comportamentos diretamente associados aos critérios DSM do TDAH e de patologias comórbidas comuns, abrangendo também o seu impacto funcional. O instrumento cobre as seguintes dimensões:
- Desatenção: dificuldades no foco continuado, elevada distratibilidade e défice na organização de tarefas escolares e diárias.
- Hiperatividade e Impulsividade: agitação motora sistemática, precipitação de respostas e quebra do turno, cujas ações imponderadas se assemelham a comportamentos automáticos difíceis de reprimir.
- Comportamento Opositor e de Conduta: resistência direta a regras e figuras de autoridade, violações graves da norma ou inclinação para a agressividade intencional.
- Sintomas Internalizados: manifestações de medo acentuado, tristeza, solidão ou autocrítica paralisante que, em consulta, podem ser trabalhadas ao avaliar a utilidade de um pensamento disfuncional.
- Retentimento Funcional: o grau em que estes sintomas prejudicam a leitura, a matemática ou o relacionamento direto com pares e irmãos.
O instrumento é desenhado preferencialmente para pais de crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos.
A integração desta escala está recomendada em momentos fundamentais de avaliação e monitorização terapêutica nas perturbações do neurodesenvolvimento:
- Avaliação basal estruturada: permite o levantamento exaustivo dos critérios diagnósticos DSM reportados pelos cuidadores principais no momento do intake.
- Despiste de comorbilidades: útil para sinalizar distúrbios desafiantes ou quadros sobrepostos de ansiedade em crianças e adolescentes que influenciam o plano terapêutico.
- Triangulação inter-observadores: facilita a confrontação da perceção parental com o relato dos professores, definindo melhor o foco quando o objetivo é ensinar os pais a comunicar com os filhos mediante diretrizes claras.
- Monitorização longitudinal: acompanha o efeito prático das respostas farmacológicas e psicossociais instituídas ao longo do tempo.
A utilização de uma pontuação padronizada acrescenta solidez descritiva à história clínica, blindando o clínico contra as distorções e o esquecimento episódico característicos da anamnese não orientada.
Para cada questão, avalie o comportamento da criança nos últimos 6 meses. Cada avaliação deve ter em conta o que é apropriado para a idade da criança.
1. Não presta atenção a detalhes ou comete erros por descuido (p. ex., nos deveres de casa).
Avalia a presença de erros sistemáticos por negligência nas rotinas exigidas.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
2. Tem dificuldade em manter a atenção no que precisa fazer.
Verifica a capacidade da criança de preservar o foco atencional.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
3. Parece não ouvir quando se fala diretamente com ele/ela.
Analisa episódios de aparente alheamento ou distanciamento no diálogo.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
4. Não segue as instruções e não termina as suas atividades (não por oposição ou por não compreender).
Mede a falta de constância e conclusão das atividades iniciadas.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
5. Tem dificuldade em organizar as suas tarefas e atividades.
Foca-se nas limitações das funções executivas relacionadas com o planeamento.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
6. Evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas que exigem esforço mental prolongado.
Observa a esquiva comportamental a exigências cognitivas sustentadas.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
7. Perde objetos necessários para as suas tarefas ou atividades (p. ex., brinquedos, deveres, lápis, livros).
Questiona sobre o extravio de materiais e desorganização prática.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
8. Distrai-se facilmente com ruídos ou outros estímulos.
Avalia o quão vulnerável é o foco face a interrupções não pertinentes.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
9. Esquece-se das atividades do dia a dia.
Verifica os lapsos de memória episódica na vida diária.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
10. Mexe as mãos ou os pés, ou contorce-se na cadeira.
Mede sinais de inquietação motora focalizada em extremidades.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
11. Levanta-se do seu lugar quando deveria permanecer sentado/a.
Analisa a incapacidade de controlar o movimento num contexto expectável de estabilidade.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
12. Corre por todo o lado ou trepa excessivamente quando deveria permanecer sentado/a.
Observa a presença de motricidade grossa abusiva em momentos inapropriados.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
13. Tem dificuldade em brincar ou em iniciar atividades de lazer calmas.
Avalia o obstáculo em gerir adequadamente momentos de ócio mais passivos.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
14. Está 'a mil' ou age frequentemente como se estivesse 'ligado a um motor'.
Verifica a perceção de uma energia constante e desregulada.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
15. Fala em excesso.
Avalia o ritmo e a exacerbação na comunicação oral.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
16. Responde às perguntas antes de serem concluídas.
Mede a impulsividade num eixo linguístico de resposta.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
17. Tem dificuldade em esperar pela sua vez.
Analisa a inabilidade para diferir necessidades ou respeitar uma vez.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
18. Interrompe os outros ou intromete-se nas suas conversas e/ou atividades.
Foca-se em condutas intrusivas face ao limite de terceiros.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
19. Discute com adultos.
Mede atitudes diretas de atrito verbal perante figuras de autoridade.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
20. Fica com raiva.
Avalia o limiar de explosão emocional perante stress.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
21. Desafia ativamente ou recusa-se a cumprir os pedidos ou regras dos adultos.
Analisa oposição intencional face a restrições e solicitações.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
22. Incomoda os outros deliberadamente.
Observa a presença de hostilidade instigada contra outrem.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
23. Culpa os outros pelos seus erros ou mau comportamento.
Foca-se na externalização da responsabilidade nos fracassos.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
24. É suscetível ou irrita-se facilmente com os outros.
Verifica a hipersensibilidade reativa base no contato interpessoal.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
25. Sente raiva ou ressentimento.
Mede o enquistamento de raiva e predisposição malévola.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
26. É maldoso/a ou procura vingança.
Avalia o peso de características de natureza retaliadora.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
27. Agride, ameaça ou intimida os outros.
Questiona condutas dominantes e vexatórias sobre terceiros.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
28. Inicia brigas.
Analisa o papel catalisador em violência puramente física.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
29. Mente para se livrar de problemas ou para evitar obrigações (ou seja, 'engana' os outros).
Verifica o uso do engodo perante contingências ambientais.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
30. Falta à escola (falta às aulas) sem permissão.
Mede o abandono ou fuga intencional às imposições letivas.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
31. É fisicamente cruel com as pessoas.
Avalia atos severos de dor imposta propositalmente a humanos.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
32. Roubou objetos de valor.
Foca-se na transgressão aquisitiva material.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
33. Destrói deliberadamente os bens de outras pessoas.
Observa impulsos antissociais voltados para a depredação.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
34. Usou uma arma que pode causar ferimentos graves (p. ex., bastão, faca, tijolo, arma de fogo).
Questiona o uso de instrumentos para impor dano letal ou severo.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
35. É fisicamente cruel com os animais.
Avalia um critério de grande disfuncionalidade focado na fauna.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
36. Ateou fogo deliberadamente para causar danos.
Mede incidências pirómanas como marcador de distúrbio de conduta.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
37. Invadiu a casa, o estabelecimento comercial ou o carro de outra pessoa.
Analisa delitos focados na invasão de um domínio alheio protegido.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
38. Ficou fora de casa à noite sem permissão.
Verifica condutas de insubordinação temporal aos limites familiares noturnos.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
39. Fugiu de casa durante a noite.
Foca-se no esvaziamento premeditado e arriscado do lar parental.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
40. Forçou alguém a uma atividade sexual.
Questiona um dos comportamentos de violação mais graves em contexto pediátrico.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
41. Sente medo, ansiedade ou preocupação.
Avalia o estado persistente de tensão ansiosa.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
42. Tem medo de experimentar coisas novas por receio de cometer erros.
Mede a evitamento da experiência gerado por antecipação de falhas.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
43. Sente-se inferior ou inútil.
Analisa esquemas subjacentes de inutilidade e menos-valia.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
44. Culpa-se pelos seus problemas, sente-se culpado/a.
Verifica os processos ruminativos associados a sentimentos de culpa.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
45. Sente-se só, indesejado/a ou não amado/a; queixa-se de que 'ninguém gosta dele/dela'.
Observa as carências percebidas ao nível da pertença social.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
46. Sente-se triste, infeliz ou deprimido/a.
Avalia perturbações fundamentais do humor orientadas à depressão.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
47. Sente-se constrangido/a ou envergonha-se facilmente.
Mede a hipervigilância e sensibilidade face ao constrangimento social.
- Nunca
- Ocasionalmente
- Frequentemente
- Muito frequentemente
Como avalia o desempenho do seu filho nas seguintes áreas?
48. Desempenho escolar geral
Pesquisa o nível de comprometimento em todo o cenário de aprendizagem.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático
Para cada questão, avalie o comportamento da criança nos últimos 6 meses. Cada avaliação deve ter em conta o que é apropriado para a idade da criança.
49. Leitura
Avalia debilidades concretas focadas na decodificação e retenção literária.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático
50. Expressão escrita
Mede dificuldades projetivas de organização e codificação no texto.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático
51. Matemática
Analisa o eventual défice operativo ligado ao raciocínio dos números.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático
52. Relações com os pais
Pondera o nível de desgaste associado às interações de filiação primária.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático
53. Relações com os irmãos
Observa a tensão e harmonia nas dinâmicas fraternais intrínsecas.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático
54. Relações com os colegas
Avalia o impacto na integração interpessoal com outras crianças.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático
55. Participação em atividades organizadas (p. ex., equipas)
Mede a adequação comportamental nos nichos extracurriculares enquadrados.
- Excelente
- Acima da média
- Médio
- Um pouco problemático
- Problemático